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Sopa De letras

Vinha à procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

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UM VIOLINO CHORA (homenagem a umas das muitas vítimas do IP4 no Verão)

 

 No dia 29 de Julho de 2003, um acidente de viação ocorrido junto a Pedronelo, Amarante, vitimou mortalmente a vocalista da banda “Odores de Maria”, Maria Zulmira, uma jovem de 22 que ocupava também a função de violinista neste projecto musical. Ela foi a terceira vítima fatal desse verão no IP4. Já faz 5 anos que isto aconteceu e parece que nas nossas estradas nada mudou. Este texto foi escrito para ela e por ela. A ela o dediquei e dedico. Tive o prazer de a conhecer pessoalmente e sei que perdemos uma pessoa de grande valor, de grande talento, uma jovem e bela mulher com um futuro promissor à sua frente. Aqui fica a minha singela homenagem.

 

UM VIOLINO CHORA

Lá fora o sol brilha e o céu está limpo, mais azul do que nunca. Poder-se-ia dizer que está um dia lindo sem nuvens, mas uma nuvem carregada de tristeza percorre a vida de algumas pessoas, inundando-as de saudade de alguém cuja vida foi interrompida.

Não importa que o sol brilhe e o céu esteja azul, porque ela partiu sem se despedir, na certeza de que voltaria. Mas não voltou...

Era daquelas pessoas que, como se costuma dizer, tinha tudo. Era jovem, bonita e talentosa. Todos os que conheciam tinham a certeza que um dia ela seria alguém e o seu talento iria alegrar o mundo. Torcíamos para que um dia, o som do seu violino chegasse mais longe e a sua voz nos contasse histórias em melodias de encantar que nos ficavam alegremente nos ouvidos.

Lutava como todos os jovens lutam pelos seus sonhos. Mas ela era diferente, tinha aquela garra e aquela alegria de viver que por vezes marcam a diferença. A música era a sua vida e o violino a sua a paixão.

Lembro-me de a ver entrar num palco simples, bonita e encantar todos com a sua voz e o som do seu violino, e enquanto o violino soava, a música parecia inundar-se de magia.

Sempre tive aquela sensação estranha de que os violinos choram. Hoje tenho a certeza.

Despertei com o telefone a tocar. Do outro lado da linha informaram-me que ela tinha feito a sua última viagem. O asfalto impiedosamente roubara-lhe a vida, a juventude, a beleza, o talento e os sonhos. 

Não quis acreditar. Não era justo para ela. Mas infelizmente era verdade, e nem sempre as regras do jogo da vida são justas para connosco.

O seu violino não se silenciou, tenho agora a certeza que o seu violino chora de saudade.

Não sei para onde ela partiu, mas faço votos de que se encontre num céu tão azul como aquele, onde o sol brilha agora. 

Sei apenas que hoje o sol brilha, o céu está azul e algures, para além do possamos imaginar, um violino chora...

Flora Rodrigues

Dedicado à memória de Zulmira Achermann falecida a 29 de Julho de 2003

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