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Sopa De letras

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

O Tablet do Estado Novo

Enquanto a professora leciona a matéria, faz análise das imagens constantes do manua, sobre o Estado Novo. De repente uma aluna pede a palavra e a professora acede.

    A aluna olhando confusa para uma imagem pergunta:

-Eles já tinham tablets no Estado novo? – o ar dela é de espanto.

    A professora sorri (enquanto alguns dos colegas tentam adivinhar o que é “aquilo”) e responde:

- Sim querida. Já tinham. Era um tablet ultra eficaz. Escrevias nele para fazer exercícios a seguir apagavas e voltavas a escrever até aprender.  

 Fez-se silêncio, os alunos escutaram atentamente, o resto do esclarecimento sobre o tablet do Estado Novo!

 

     Quem sabe de que objeto na imagem se falava?

 

 

Sabor a azul do Céu...

 

 -Beija-me…- Disse ela de pé, para ele sentado a seu lado em cima do muro. Ele espantado, concentrou-se no silêncio que antecedera estas palavras. Devia ter imaginado algo. Desejava-o com tanta força que imaginava ouvir a voz ligeiramente rouca e doce dela pedir-lhe: beija-me.

-Ouviste o que te pedi?

-Desculpa, pensei que estivesse a imaginar.

-Porquê não me queres beijar? Perguntou ela num misto de tristeza e divertimento, mas honestamente intrigada..

-Sim. Quero. É o que mais quero. Não me estás a gozar?

-Porque haveria de o fazer?

-Não sei...

-Pára com isso e beija-me!

-Mas..

-Mas o quê?

-Mas eu só tenho doze anos e tu já tens catorze .

Ela riu-se.

-Tens com cada uma. Quero lá saber disso. Conheço-te desde que nasci. Hoje é o dia perfeito para me beijares.

Foi assim que sentado num muro por ser mais baixo do que, ela à luz da estrelas e do luar que ele deu o seu primeiro beijo.

-Gostaste?- Perguntou-lhe ela.

Ele ainda estava a viajar por entre a lua e as estrelas sem acreditar.

-Devo estar a sonhar.

-Não, não estás.-  E voltou a beijá-lo.

-A que te soube?

- A azul do céu, se as cores tiverem sabores este é o teu, sabes a azul do céu! E eu?

-A amoras frescas acabadas de colher.

 -Agora vamos para a nossas casas que já é tarde.

 -Amanhã, encontramo-nos?

-Sim- Disse ela com um brilho igual aos das estrelas nos olhos.

 

Mas não voltaram a encontrar-se senão passados dez anos. O tempo não passara por ela e a sua voz era inesquecível.

 

-Dá-me licença?

Ele virou-se.

-És tu? És mesmo tu?

-Eu quem? Respondeu ela divertida sem o reconhecer.

 - Não te lembras de mim? Crescemos juntos, brincávamos no muro junto ao telheiro de noite, fingíamos que éramos gatos e tudo o que se possa imaginar, um dia desapareceste e nunca mais soube ti. Tinham mudado de casa.

 

-Sebastião? Não acredito! -Lançou-se-lhe nos braços como se fossem crianças de novo. -Desculpa esta é tua namorada? – Perguntou um pouco atrapalhada notando uma presença feminina ao lado.- Ele riu.

-Não, não tenho ninguém É apenas a menina da loja.

-E tu?

-Nem namorado, nem marido. Mas chega aqui. Há uma pessoa que te quero apresentar.

 

Junto das prateleiras de livros infantis estava um menino cujo perfil era indubitavelmente o dela.

-Este é Sebastião. O meu filho. Foi por isso que parti sem nada dizer.

-O teu filho?

-Vamos tomar um café?

Dirigiram-se para a cafetaria da livraria .

-Sim. Foi por isso que te pedi um beijo naquela noite. Queria imaginar que ele era um pouqinho teu.

-E o pai?

- Nunca mais soube dele. Depois dele fazer o reconhecimento da criança nunca mais o vi. É o Mateus que era da minha turma. Os pais mandaram-no para Londres para casa de uma tia-avó. No entanto os pais dele mandam dinheiro todos os meses para o neto. Mas não o querem ver. Também sofri tanto que não preciso de mais nada e nem quero ver a cara de ninguém daquela família.

 

-Porque não me disseste nada.Eu tinha-te ajudado.

 

-Porque não queria destruir a imagem romântica que eu sabia que tinhas de mim. Além disso eras uma criança inocente. Dois apenas de diferença, eu sei, mas naquela altura era uma diferença enorme. Mas queria que tivesse sido teu, por isso quis sentir o teu sabor.

-Olá Sebastião...

-Olá, és o amigo da minha mãe que diz que as cores têm sabor?

Sebastião sorriu.

-Ela contou-te isso?

-Sim, perguntei à minha mãe a que sabiam os beijos. Ela respondeu que um dia um amigo lhe disse que sabiam a azul do céu…

.-Sim fui eu. Porque quiseste saber?

-Queria saber porque me chamava Sebastião e ela disse que foi por ser o nome da única pessoa que gostou dela de verdade e lhe deu o beijo mais saboroso do mundo.

Ele olhou para ela e ela enrubesceu como se tivesse catorze anos de novo. Ele nunca a esquecera, mas o amor magoara-o demais. Fora o seu primeiro beijo e a sua primeira desilusão.

-Sempre pensei que fugiras de mim por causa daquele beijo.

-Oh não, nunca..os meus pais não me deixaram falar com mais ninguém, desculpa eu não te quis magoar...

 

-Agora percebi.Foi bom ver-te. Tenho de ir para a missa.

-Vais à missa?

-Não. Vou celebrá-la. Sou o novo pároco desta paróquia.

Ele vislumbrou uma nuvem de decepção nos olhos dela e como que em jeito de se desculpar disse-lhe:

-Eu nunca te esqueci, pensei que te perdera para sempre. Querem vir assistir?

-Com certeza.- Disse ela.

-Não te volto a perder. Posso ter-te perdido como homem, mas hoje vejo que nunca te perdi como irmão de amizade e isso vale mais que mil paixões.- E seguiram de mão dada até à igreja.

 

A multidão cochichou entre si. E muitos rumores soaram nos anos que se seguiram. Mas nunca as vozes do povo tiveram razão em falar.

 

 Passados 30 anos. Encontravam-se ambos debaixo do telheiro. Ela de pé. Ele sentado no muro.

 

-Beijas-me? – Disse ela.

Ele não respondeu, deu-lhe ao de leve um beijo na testa.

-Não, beija-me mesmo, só por esta vez.

-Sou um padre. Sabes que não posso.

-Só por esta vez.

Ele não resistiu e beijou-a. Ela nunca perdera o sabor a azul do céu.

-Porque me pediste para te beijar?

-Porque queria levar o teu sabor a amoras frescas acabadas de colher comigo. Prometes-me tomar conta do Sebastião?

-Sim, embora ele já seja um homem feito, mas porque me pedes isso?

-Porque tenho de partir. - E dizendo isto desfaleceu nos seus braços adormecendo para sempre.

 

 

 Nunca um serviço fúnebre lhe fora tão doloroso, mais a mais, por sentir que aquelas almas presentes o condenavam.

Como se pode condenar um amor tão puro? Nunca ninguém acreditaria que em 52 anos de existência a amara sempre e só tinham trocado dois beijos, mas a coincidência do filho ter o seu nome também não ajudava.

 Só quem amou verdadeiramente acreditaria num amor tão puro. Não se importava com o mundo.

Olhava o céu, queria encontrá-la. Ainda tinha o seu sabor a azul do ceú, na boca.

 

O céu ganhara um novo significado na sua vida.

 

conto de ficção escrito por mim

ilustração retirada da internet.

 

 

Pégadas de Areia



Era uma vez, outra vez o mar…

Marisol de olhos tristes e sonhadores, mais uma vez passeava descalça junto ao mar. O dia inda não rompera por completo, só agora se viam os primeiros raios de sol a se espreguiçar. Mas, todos os dias, àquela hora, Marisol passeava descalça junto ao mar. Aguardava a chegada do pai, que regressava da sua faina por aquela hora.

      Desde que se entendia por gente que gostava de aguardar a chegada do pai e ver os pescadores recolherem as redes. Quando a pesca era boa alegria, era tanta que parecia uma festa, e se por acaso calhava alguém passar na praia àquela hora, tinha por vezes a sorte de ser brindado com algum peixinho fresquinho, que assim “caído” do mar para o prato até sabia melhor.

     Mas quando a pesca não rendia, quase não se ouvia nenhum som, a não ser o suave marulhar das ondas e o pesado arrastar das redes vazias, anunciando, pratos vazios e dias de fome. Mas apesar de tudo os piores dias não eram esses, pois pouco tempo depois, com a graça de Deus (e dos peixes), tudo se compunha. Os piores dias eram aqueles em que por força da necessidade os pescadores se lançavam ao mar bravio e não mais tornavam. Os piores dias eram aqueles em que os pescadores por vezes eram surpreendidos com o mau tempo e só  a muito custo regressavam.

           Naquele dia Marisol acordara com um estranho pressentimento. Dirigira-se para a praia mais cedo que o costume e agudizaram-se os seus medos. Das letras pouco sabia, (apesar das suas catorze primaveras já contadas), mas sabia ler nas nuvens e nas ondas a vontade do mar. E naquele dia o mar parecia-lhe bravo, enraivecido, irado por tudo e por nada, como um homem que em certos dias acorda zangado com a vida.

             As horas passavam-se e a embarcação de seu pai não regressava. O mar cada vez mais irado encapelava-se.

               Marisol ajoelhara-se na areia, as ondas por vezes acariciavam-lhe os joelhos deixando-lhe a saia molhada, e rezava pedindo que seu pai regressasse. A praia enchera-se de mulheres de, algumas vestidas de negro pelo mar lhes ter roubado os seus maridos. Falavam entre si e choravam, antevendo a mágoa de uma morte anunciada. Mas, Marisol permanecia queda e muda, olhos fitos no mar e pensamento firme em Deus, ignorando tudo em seu redor, como se, só  ela, a praia e o céu existissem naquele momento.

      E, de repente, fosse pela reza de Marisol, ou porque a hora de seu pai ainda não tinha chegado, ou porque a vontade de Deus assim o queria: o mar amainou, o sol brilhou com mais força e o barco de seu pai regressou, com mais companheiros que tinham salvo de morte certa, motivo pelo qual se tinham atrasado tanto naquela manhã.

           Marisol ergueu-se e abraçou o pai assim que este chegou, chorando de alegria e alívio. Mais tarde dirigiu-se à capelinha para levara flores, para agradecer a Nossa Senhora a protecção a seu pai e seus companheiros e qual não foi o seu espanto, quando, ao começar arranjar as flores, verificou que os  pés da santa se encontravam cobertos de areia húmida, olhou para trás e reparou que um rasto de pequenas pegadas marcadas de areia húmida conduziam ao altar da santa.

 

Conto de ficção da minha autoria inspirado as lendas que a minha avó materna exímia contadora de histórias, natural de Olhão e filha de pescadores me contava na infância.

 Ilustração das fotos das fotos do sapo álbum de Nunoeninha







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