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Sopa De letras

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

94,5 milhões???

Eu sei que a notícia já tem uns dias, mas ainda ando a digerir isto…agora que passou a febre dos três efes Fátima Festival e Futebol…

Bem é disso que se trata, mas não vou fazer comentários de treinadora de bancada. 

“Dívida de 94,5 milhões perdoada ao Sporting” e”600 mil famílias em risco de perder a casa”?

Como é que é? Desculpem???? Estou indignada até aos ossos. E antes de mais esclareça-se que sou sportinguista, leoa de coração e que isto nada tem a ver com lutas clubísticas.

  Mas passo num quiosque de jornais e estas   notícias são manchetes em jornais diferentes. Saltou-me à vista a ironia. A injustiça!!!!

 

 Deixem-me ver se percebo: as pessoas trabalham a vida toda, têm um mau momento na vida porque ficam desempregadas e como em Portugal não se cumpre a constituição que proíbe a discriminação por sexo, idade, credo ou orientação sexual, acabam por não conseguir emprego. Os rendimentos diminuem, as contas ficam por pagar e a seguir para ajudar à festa vem o Estado e saca-lhes o lar????!!!!!

 

Depois chega um clube (e aqui diria o mesmo de qualquer um, já disse que sou sportinguista não disse?) endividado e não há sequer um acordo, uma obrigação. A Dívida é PERDOADA, deixem-me ver se percebo que ando a ficar um pouco lerda das ideias: PERDOADA??????!!!!

 

A acrescentar não devemos ignorar o que se passa nos dois bancos em causa: o BCP congelou e diminuiu ordenados alegando “falta de fundos” e o Novo Banco tem em curso um despedimento coletivo  visando o despedimento de centenas de trabalhadores.

 Isto para não falar dos resgastes aos Bancos em risco de falência, feito com o nosso dinheiro.

 

 E as famílias que estão em risco de perder os lares vão perdoá-las????

 

Acrescento ainda que esta quantia distribuída pelos  2,4 milhões que estão em risco de pobreza seriam o suficiente  para  o evitar.

 

 Ora bolas  para isto tudo!!!!

Um novo capítulo

 

 Fazia vinte anos que trabalhava naquela empresa, no dia em que recebeu a triste notícia que os seus serviços já não eram necessários naquela empresa, pois vivia-se uma época de crise e a empresa tentava sobreviver reduzindo o pessoal.

    Um enorme desgosto invadiu-lhe a alma, por outro lado teve uma enorme sensação de alívio. Já não lhe pagavam o ordenado há dois meses e começava a cansar-se de viver sem saber como ia ficar a sua situação na empresa. Pensou na parte positiva da questão, tinha três filhos, duas meninas e um menino. Dois deles ainda muito pequenos, iria ter mais tempo para ficar com os filhos e sempre podia contar com o apoio dos seus sogros que durante o tempo que trabalhava lhe tomavam conta dos filhos. Por outro lado a situação do marido ainda lhes permitir algum desafogo financeiro e ao fim de algum tempo receberia o dinheiro que a empresa lhe devia. Arrumou as suas coisas, não sem alguma tristeza, despediu-se dos colegas de tantos anos com quem crescera, trabalhar, refilara, com quem repartira tristezas e alegrias, fracassos e sucessos e fechou aporta atrás de si com a sensação de ter encerrado para sempre um longo capítulo na história da sua vida. O que seguiria era para ela ainda um mistério.

 

 Nos dias que se seguiram aproveitou para ir pondo em dia as coisas que tenha atrasadas na sua casa. Pegou nos filhos mais pequeninos e brincou com eles como nunca tivera tido tempo. Levou a mais velha a sítios onde nunca a tinha levado. E começou um novo ritual lá em casa . Assim que a mais velha chegava da escola, contava-lhes uma história e todos faziam desenhos a seguir, sobre a história.

 Ao fim de uns meses com os filhos a pedir-lhe que repetisse as histórias vezes sem conta, começou a escrevê-las e a ilustrá-las com os desenhos dela e dos filhos.  No final do ano já tinha um pequeno livrinho que por piada decidiu mandar encadernar. E este era o livro de histórias preferidas de todos na sua casa. Assim houve um dia em que o professor da mais velha pediu que levassem os seus livros preferidos e está claro que a menina levou o livro de histórias da sua mãe.

No fim da aula o professor estava encantado e mandou um recado à menina para que a sua mãe fosse á escola falar com ele.

Ela foi falar com o professor, mas não fazia ideia qual era o assunto , pois ela não sabia que a menina tinha levado o livro e o recado só pedia que fosse falar com o professor um assunto de seu interesse. Ia preocupada com a filha, como nunca recebera queixas e não sabia o que se passava ia um pouco apreensiva.

Assim que lá chegou o professor foi muito cortês e agradeceu-lhe o facto de ela ter aparecido prontamente. Apresentou-lhe o livro dela dizendo-lhe que tinha ficado tão encantado e revelou-lhe que era escritor e igualmente sócio de uma editora. De seguida propôs-lhe que publicasse aquele livro. Ela ficou muito aliviada por nada de preocupante se passar com a filha e aceitou a proposta do professor, após muita insistência pois não acreditava que alguém mais se interessasse pelo livrinho. Mas estava enganada. O professor tinha razão. O livro era tão original e genuíno que se transformou no primeiro de muitos sucessos literários que ela iria ter ao longo da sua vida, pois transformou-se numa famosíssima escritora de histórias infantis no seu país. E nunca conseguiu deixar de se sentir agradecida por a terem despedido, só ficou com pena, que tivesse perdido vinte anos sem perceber que podia chegar m ais longe. Mas como a sua avó que lhe incutira o gosto por contar histórias dizia: Tudo tem a sua hora marcada na agenda do destino.

Conto de ficção escrito por mim para a Fábrica de Histórias

ilustração retirada da internet.

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