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Sopa De letras

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Luxúria e Sedução





Já há algum tempo que se encontravam pela Internet. Ela tinha visto um programa onde as pessoas encontravam a felicidade em sites de Internet. Porque não? Pensou ela e registou-se num site considerado dos melhores, onde só pessoas influentes se registavam. Estava descontente com a vida, com a carreira, com a família e até com os amigos. Estava cansada de se sentir sozinha. De abrir  a porta da casa e ser recebida pelo silêncio. Queria mais da vida. Não queria uma vida comum. Queria viver uma aventura um romance, como os dos livros que lia. Tinha visto num programa de televisão que naquele site poderia encontrar pessoas cultas de boa posição social e financeira. Porque não juntar o útil ao agradável? Pensou ela. E um dia em que nada tinha para combater a solidão, tomou então a decisão de se registar no site.

 

Porque não? Não tinha nada a perder. Era perigoso. Diziam-lhe algumas amigas. E conhecer alguém num bar, numa discoteca, ou até num trabalho não era?

Não lhe importava, gostava do risco. Do sabor a aventura que fazia sentir-se viva.

Entrou no site primeiro sem se registar. Foi procurando até que o encontrou. Era bom demais para ser verdade que aquela pessoa existisse. Parecia o homem dos seus sonhos. Escrevia a frase que ela costumava usar na brincadeira, na sua apresentação. “O mundo é lindo, vem conhecê-lo, comigo se a tua ideia de acampar é só em hotéis de 5 estrelas.” Não conseguiu evitar uma gargalhada e imaginar-se a acampar num hotel de 5 estrelas com um cavalheiro fino elegante e sedutor como ele parecia ser.

 

  Registou-se e ganhou coragem. Viu que ele estava on-line e ganhou coragem.
” Olá como estás?”. Ele respondeu e foram falando. Perguntou porque o escolheu e ela respondeu que iria adorar acampar num hotel de 5 estrelas. Riram-se os dois. A partir desse dia falavam sempre à mesma hora. Contavam tudo um ao outro, tinham-se tornado amigos íntimos, cúmplices. A amizade virtual ganhava contornos de algo mais que uma amizade real. Decidiram dar o passo de se conhecerem pessoalmente. Já haviam trocado fotografias, confidências, intimidades, só lhes faltava trocar olhares, pernas, braços beijos, entrelaçarem-se de desejo que já sentiam. Era Carnaval. Combinaram ir a uma festa mascarados. Ela iria de “ Diaba”. Ele de Vampiro. Combinaram uma senha para terem a certeza. “Ela perguntaria, posso beber do seu corpo?” Ela responderia: “cuidado! Tenho o diabo no corpo.”

     A festa era, como não podia deixar de ser num hotel de 5 estrelas. Ela chegou primeiro, conforme o combinado sentou-se no balcão do bar e pediu um Bloody Mary.

Não tinha passado muito tempo quando sentiu uma respiração quente no seu pescoço:”Posso beber do seu corpo?”, sorriu e respondeu “ cuidado! Tenho o diabo no corpo”. Virou-se para ele e a imagem era ainda melhor que na fotografia. Talvez fosse do fato vampiro, mas fez com que o desejasse ainda com mais ardor. Ele ficou impressionado. Ela tinha mesmo o diabo no corpo. E apetecia-lhe sugar-lhe alma, os peitos a boca. Percorrer todo aquele corpo com sua boca.

-Vem – disse-lhe ele.

Aquela voz rouca e quente fazia-a estremecer. Levantou-se e ele puxou-a para dançarem.

- Queres continuar aqui? – Perguntou-lhe ele

- Não – disse ela – vamos para um lugar mas calmo.

- Então vem.

Ela seguiu-o sem um palavra. Não conseguia descrever a sensação segui-lo-ia até ao Inferno. Ele queria levá-la ao céu.

Não fez perguntas. Ele levou-a para um dos quartos do hotel como se tudo estivesse previsto e planeado. Ela não se importou. Significava que a desejava.

-Lembras-te de como nos conhecemos?- Nem esperou pela resposta. Então vamos fazer o que combinámos.

   Os morangos e o chantily encontravam-se já no interior do quarto. Ele não quis aguardar mais. Beijou-a. Despiu-a lentamente. Queria ter o prazer de descobrir como era olhar e desnudar cada pedaço daquele corpo. Ela percorreu o corpo dele freneticamente com as mãos. Queria senti-lo. Ele empurrou-a para cima da cama. Dispôs-lhe os morangos e o chantily em cima do corpo e foi-a beijando enquanto comia os morangos, lambia o chantily e lhe trincava ligeiramente os mamilos cobertos de cahntily. Ela queria que ele lhe sugasse a alma e ele que ela tivesse o diabo no corpo. Ela trincava os morangos e escorria-lhe o suco enquanto o depois o lambia e chupava pelo corpo todo até o fazer gemer de prazer. Eles uniram os corpos até que o prazer os derrotasse.

   Desde esse dia nunca mais trocaram confidências, nem palavras, nem fotografias, nem desejos.

 Apenas entrelaçaram os corpos, as almas e nenhum dos dois queria mais do que isso.

 

 

Ela via nele o homem que lhe queria devorar mais do que o corpo a alma. Para ela, ele era a tentação a que nunca conseguia resistir, o jogo sem vencedor. Não queria continuar, mas não conseguia sair nem resistir àquele jogo de sedução.

Ele via nela o sangue, o pecado, o demónio da tentação que infernizava os dias na busca do prazer que ele não queria perder.

Um dia depois de fazerem amor beberam duas taças de vinho tinto,que ela escolhera, rubro da cor do sangue  . Ele fora fumar para varanda.

Quando regressou ela dormia e tinha um bilhete na almofada dele.

"- Desculpa o jogo acabou. Ganhaste a minha alma."

Ele sorriu e adormeceu. “E tu ganhaste a minha” pensou ele.

Adormeceram ambos embriagados pelo veneno da sedução, sorvido num cálice de vinho tinto, rubro da cor do sangue.

         Nenhum dos dois voltou a despertar.

 

 

 

Texto de ficção escrito por mim

(qualquer semelhança coma realidade é pura coincidência)

Foto retirada da Net

 


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