Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sopa De letras

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Vinha á procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Pessoas que tornam o mundo mais bonito #3

20160301092208576966.jpg

Já não me recordo bem da data, mas foi há quase quatro anos no Campo Pequeno. Eu tinha ido ao Pediatra com o meu filho, o mesmíssimo médico que me dissera para eu não me preocupar, que tudo aquilo era normal, e que naquele dia me dizia que nada daquilo era normal e que eu já lhe devia ter contado. Mas eu tinha contado e ele tinha dito que era normal e eu contra o meu instinto confiei. Saí desorientada do consultório sem a certeza se algum dia lá voltaria (não voltei). Liguei ao marido a pedir para me ir buscar, ele estava quase a sair do trabalho. Ficou de me ligar para o telemóvel quando lá chegasse.

    Não queria ir logo para casa, fui lanchar com o filho e fui ao parque infantil em frente, junto ao edifício do Campo Pequeno. Precisava, respirar e acalmar-me, fui fotografando o miúdo enquanto ele brincava, sem me aperceber que estava a ficar sem bateria no telemóvel, até que este se desligou.

 

Se já não estava calma, pior fiquei, principalmente porque começava a temer um ataque de pânico sozinha com o filho. 

 

  Tinha de arranjar um meio de contactar o meu marido. Desço ao centro comercial onde existem cabines telefónicas, mas estas limitam-se a comer-me as moedas.

 Começo a sentir as taquicardias e o filho está inquieto, o que não ajuda.

 

Volto à parte de fora do edifício e olho para o café restaurante que aquela hora ainda me parece calmo.

 

 

Entro na Mercearia a Vencedora, já a fazer um esforço enorme para controlar as lágrimas e a respiração.

 

 Depois de eu dizer Boa Tarde a custo, o rapaz atrás do Balcão pergunta-me em que me pode ajudar de forma bem simpática. Explico que preciso ligar ao meu marido.  Gaguejo a falar e os meus gestos são descoordenados. As palavras do pediatra ecoam-me na cabeça o que não ajuda acalmar-me

. Pergunto se tem algum telefone fixo do qual eu possa ligar, dispondo-me a pagar um preço absurdo na minha aflição. O rapaz afável e bem-disposto diz para eu me acalmar e gentilmente disponibiliza-me o seu telemóvel. Ligo ao meu marido e combino um ponto de encontro.

   Devolvo telemóvel e pergunto quanto lhe devo. Responde-me que não é nada que eu tinha demorado pouco. É Verão e está calor.  O miúdo está irrequieto. Preciso dar água ao miúdo, que a dele tinha acabado. Também tenho sede. Peço se posso comprar ali uma garrafa de água. Entrega-me uma garrafa de água fresca e quando pergunto o preço responde-me que não é nada. A garrafa é dele, cada funcionário tem direito a uma, ele oferece-me a dele!

 

 Pergunto como lhe posso agradecer a gentileza, ele sorri e diz que não foi nada.   Agradeço mais uma vez e na minha desorientação nem me lembrei de perguntar o nome.

 

Saio do estabelecimento, menos desorientada do que tinha entrado.  O miúdo bebeu um pouco de água e acalmou. Eu também estava mais calma.

 

Pensava na gentileza daquele rapaz que num dos dias mais cinzentos da minha vida, sem me conhecer de lado nenhum deu um pouco cor ao meu dia com pequenos grandes gestos de bondade e gentileza.

  

Mais uma vez aqui fica o meu muito obrigado rapaz da Mercearia a Vencedora.

 

Quem é a cozinheira?

Calendário

Junho 2018

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Espreitar no caldeirão.

 

subscrever feeds

Blogs de Portugal

A provar a sopa

Comeram Sopa de Letras

contador de visitantes

Gostos