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Sopa De letras

Vinha à procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Vinha à procura de sopa? Aqui há , mas só de letras! Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora.

Cortinas de Chumbo

Sinto um peso involuntário sobre as pálpebras. Luto. Não quero ceder. Tenho um longo caminho a percorrer. Não, não pode ser. Tenho tanta coisa por acabar. Tantos livros para ler. Tantos lugares por conhecer. Músicas novas por ouvir. Textos por escrever. Cartas por responder. Mais um pouco e começo lentamente a ceder. As pálpebras começam a pesar como se de cortinas de chumbo se tratassem. Luto. Abro-as repentinamente. Um café! É isso. Bebo um café, fumo um cigarro. Ainda tenho muitos filmes para ver. Quilómetros e quilómetros por percorrer. Só não sei por onde começar. Lembro-me de todos os pratos que quero provar. As paisagens que quero apreciar. Quero sair para dançar. Quero–me ir divertir e celebrar a vida do nascer ao pôr–do –sol.



Não! Não! Não posso ceder! Forço, luto, mas pesadas como cortinas de chumbo empurradas pela força da fadiga, as pálpebras cerram-se sem que eu as consiga vencer



Fui de novo vencido pelo sono, pela fadiga. Mas eu não queria dormir e perder tanta coisa que continua a viver, enquanto me encontro nessa letargia. Já sei: vou procurar o segredo que vença o sono.


Investigo anos sem parar. Só paro para dormir. Mas vou recuperar o tempo perdido quando encontrar o remédio mágico que vença o sono.


Fantasticamente descobri o segredo da vigília contínua. Guardo-o só comigo.
Vivo em euforia total os primeiros dias e até os primeiros anos.

Depois, depois... recordo com mágoa os dias em que as minhas pálpebras pareciam cortinas de chumbo e eu sem querer, adormecia profundamente. Invejo o sono dos inocentes. Já se passaram décadas desde que venci o sono e hoje nem tão pouco me consigo recordar da sensação de dormir. Os meus cabelos estão todos brancos e eu estou demasiado cansado. Demasiado cansado para ler, para escrever, para dançar, para sair, para fazer seja o que for.

Não luto mais. Limito-me a esperar o nascer e o pôr – do – sol, e olhar as estrelas do firmamento. Já nada mais me resta. Apenas o tormento, o sofrimento.


Sinto um aroma forte e gostoso de café enquanto um raio de sol entra furtivamente pela janela e brinca no meu rosto. As cortinas de chumbo descerram-se sem esforço, e as minhas pálpebras iniciam os primeiros pestanejares. Levanto-me lentamente. Doem-me as costas. Deixei-me dormir sentado na secretária. Não quero acreditar. Procuro um espelho avidamente. Olho e apercebo-me que estou exactamente igual, os meus cabelos não estão brancos e o tempo ainda não deixou as suas marcas no meu rosto.
Procuro um relógio. Ainda é cedo, muito cedo, para um sábado de manhã. Volto para a cama. Afinal preciso dormir, passei tantos anos sem o fazer...

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