Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora
Sábado, 24 de Janeiro de 2009
As linhas que nunca foram escritas

 

 

 

“Querido Diário

Não escrevo data nem ano pois este assunto é demasiado delicado, assim será intemporal. É demais para mim calar este segredo que atravessou gerações. Sinto angústia, um nó na garganta, Porquê eu? Logo eu porque haveria eu de ser escolhida para guardar um segredo desta dimensão. Um segredo que me dá o poder de destruir famílias, quem sabe de causar mortes e desgostos, mas que por outro lado poderia trazer a felicidade desejada para alguns.

  Só em ti, posso confiar e nem a ti o posso contar. Sinto-me como aqueles Druidas que eram autênticos livros cujos segredos passavam  oralmente de geração em geração. Só que o meu segredo tem de permanecer calado, fechado, angustiado e sem salvar quem posso salvar. Só há uma maneira de aliviar a minha consciência deste segredo. Deixar que o descubram, sem que seja eu a o dizer. Sim dessa forma nunca trairei o segredo dizendo-o, mas se o descobrirem destruirá famílias. Que posso eu fazer?

  Não sei. Alivia-me desabafar aqui os meus pensamentos, mas aliviar–me - a ainda mais se pudesse confiar em alguém, para contar aquilo cujas dimensões são tão grandes, que me pesam demais na alma. 

  Poderei em ti confiar? Não sei, não sei. Ninguém sabe da tua existência. Somente eu. Quem me passou tal fardo para a consciência já não pertence ao mundo dos que respiram entre nós, pelo que me resta a mim ser a guardiã desta poderosa revelação cujas consequências temo se um dia a revelar. Mas por outro lado quantas vidas não permanecerão infelizes se o não fizer?

Não há como o saber a não ser que um dia seja revelado por acidente. Mas não consigo partir de alma tranquila levando-o comigo para sempre. Por isso vou arriscar aliviar o meu sentimento de culpa nas linhas que seguem…”

Foi apenas esta a página do Diário que os seus parentes conseguiram ler depois de a encontrarem no seu sono eterno na sua poltrona, o seu leito de morte.

Talvez haja segredos que nunca devam ser revelados. Quem sabe desta forma ela teve a resposta às suas dúvidas. Foi assim que todos pensaram e o segredo morreu com ela para sempre, mas ficou em todos a desconfiança de qual seria a enorme nuvem que continuava a pairar sobre a sua família.

 Conto de ficção de minha autoria para a Fábrica de Histórias.

Ilustração retirada da internet.



Sopa servida Alfa às 13:57
Receita da sopa | Meta a colher | Esta sopa é deliciosa
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4 comentários:
De Carla Ribeiro a 24 de Janeiro de 2009 às 16:52
Simplesmente, adorei. Não sei o que dizer sobre o texto, só que... tocou-me os sentimentos. Lindo...


De Alfa a 25 de Janeiro de 2009 às 01:16
Boa noite, obrigada pelas tuas palavras e bem vinda a este cantinho.
bom fim de semana


De Cristine a 27 de Janeiro de 2009 às 21:35
Olá!

Cheguei aqui pelas estatísticas do meu site, e qual não foi minha surpresa ao encontrar, além de uma foto minha, um belo conto! Gostei bastante de sua história, você criou um clima de muito suspense... qual seria o segredo que ela levou consigo?

Gostei do seu blog, e voltarei mais vezes!

Um abraço,

Cristine


De Alfa a 28 de Janeiro de 2009 às 14:34
Olá
Cristine bem vinda. Desculpe ter pegado em prestada a foto mas tem link para o seu sítio e se quiser ponho o seu nome na autoria da foto. Mas por outro lado ainda bem que o fiz senão não tinha vindo aqui e fique contente que tenha gostado volte sempre.

beijinhos


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