Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora
Domingo, 18 de Janeiro de 2009
Uma carta do passado.

  Regressava da missa, matinal embrenhada nos seus pensamentos. Mentalmente ia ordenado as tarefas do seu dia para não mergulhar na solidão da sua viuvez. Tinha sido feliz com o marido, mas ficara-lhe sempre na alma se não teria sido mais feliz com Rafael a grande paixão da sua vida que partira para trabalhar e um dia sem mais nem menos deixara de dar notícias. Esse sim, fora a sua grande alma gémea a que ela perdera na viagem atribulada da sua vida. Mas se ele deixara de dar notícias é porque se calhar não era quem ela pensava, e consolando-se no oportuno ombro do melhor amigo de Rafael, que, também ficara sem notícias dele, acabou por se casar com este. E aos poucos acabou por deixar cair a memória de Rafael no baú das recordações esquecidas. Assim ia organizando a sua vida, de modo a que a solidão não lhe pesasse, após a viuvez. Dedicara-se à Igreja e ao voluntariado. Ajudava a distribuir roupas pelos mais carenciados e sentia-se útil. Pois apesar, de já ter setenta anos contados precisava de se sentir activa ou mergulharia na solidão e na tristeza. Ao chegar a casa repetiu os rituais e todos os dias. Regou as flores. Deu de comer ao gato e foi à caixa de correio. Além das contas e da publicidade já só uma prima afastada e viúva como ela lhe escrevia.

Por isso se admirou quando verificou uma carta manuscrita com uma caligrafia perfeita. E um selo estrangeiro. Desconhecia o seu remetente, mas verificou que o nome e morada do destinatário estavam correctos. Curiosa abriu a carta. Dentro desta estava outra carta já amarelada pelo tempo dobrada, do seu amado Rafael e por fora uma nota que dizia o seguinte:

“Cara Senhora,

Espero que finalmente esta carta encontre ainda a tempo a sua destinatária. Encontrei estas cartas entre uns pertences de meu tio, esquecidos na arrecadação de meus pais. Desculpe ter lido a carta, mas ainda bem que o fiz, para que memória de meu tio possa descansar em paz, pois ele faleceu sem ter conseguido enviado a carta, que, creio ser importante que a sua destinatária leia o seu conteúdo.O meu tio morreu de acidente e nunca as chegou a enviar”

Ela abriu a carta e dentro da mesma,tinha várias cartas dirigidas a ela, a explicar que ia para o estrangeiro para casa de uma irmã juntar dinheiro para casarem e uma última onde juntamente com tudo o que lera antes, a pedia em casamento. Os seus olhos encheram-se de lágrimas de alegria e no meio das suas lágrimas pareceu-lhe ver o rosto de Rafael a sorrir à sua frente.

 Conto de ficção

de minha autoria para a Fábrica de Histórias

ilustração retirada da net



Sopa servida Alfa às 22:56
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4 comentários:
De KI a 19 de Janeiro de 2009 às 02:23
Por acaso este
conto está bem fixe, merecia mais linhas e desenvolvimento. Falta aí uma palavra: " Desculpe ter lido a carta, mas ainda que o fiz...", falta 'bem' pelo q me parece :)

Aproveito para dizer q nunca gostei da expressão 'almas gémeas' no entanto acredito que as pessoas se aperfeiçoam se existir amor e respeito :)

Boa semana.



De Alfa a 19 de Janeiro de 2009 às 13:29
Obrigada Ki, de facto faltava lá a palavra "bem "(correcção feita ). Críticas construtivas são sempre bem vindas.Quanto ao desenvolvimento talvez... por outro lado é giro deixar o resto à imaginação do leitor, mas foi o que consegui escrever com a minha filha de tres anos ao meu colo a tentar escrever também , a inspiração teve de ficar por um final q.b de razoável, se bem que honestamente gosto de deixar uma parte dos contos a mexer com a imaginação dos leitores. obrigada volte sempre. Quanto à expressão almas gémeas, devo dizer que por razões pessoais acredito nelas,não só em termos de amor como de amizade.Embora concorde que a base para qualquer relação seja de facto o amor e o respeito, pois se estes existirem o resto virá por acréscimo. E digo para qualquer relação pois existem muitos tipos de amor.
votos de uma boa semana


De estrelaquebrilha a 21 de Janeiro de 2009 às 14:43
Adorei este conto, está muito bonito.
bj


De Alfa a 21 de Janeiro de 2009 às 22:16
Obrigada.


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