Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora
Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Fragmentos I - TARDES DE SONO E PREGUIÇA

 

 Entraste devagar, calado com o teu ar de sempre, silencioso e cansado. Encontraste-me sentada no sofá, com a televisão desligada. O rádio passava uma música suave, num tom baixinho, agradável, suave como a própria música. Eu estava a fumar e fitava no meio nada, as formas que o fumo que eu exalava, tomavam. Acercaste-te de mim e perguntaste-me: "- O que tens?" respondi-te sorrindo "- Preguiça!". "- E tu?" - perguntei eu, - "- Tenho sono!" - respondeste-me e sentaste-me ao meu lado. Ficámos assim lado a lado. Silenciosos, apenas fitando o fumo que brincavas às formas no ar. Como era bom estar assim, junto de ti, sabendo que o silêncio podia também ser uma forma de amar. Com ar, ainda mais ensonado, do que quando tinhas chegado, afagaste-me suavemente o rosto. E sem falarmos nada, beijámo-nos. Os nossos corpos envolveram-se numa carícia única, num amor sem fim, sem trocar uma única palavra, mas dizendo mais que nunca!

Depois ficámos ali parados, olhando um para outro e finalmente quebraste o silêncio:

"- Estás bem?" - acenei-te que sim com cabeça e puxei-te para o meu lado. Adormeceste vencido pelo sono, mas sorrias de felicidade. Eu fiquei ali acordada, escutando a tua respiração, a melodia suave que ecoava no ar, e tentando guardar para sempre o calor do teu corpo junto de mim. Depois tive sede, levantei-me fui à cozinha buscar água e quando voltei abri a porta da sala... acordei!

Olhei à minha volta, ainda estremunhada, tudo estava como no início. Eu estava sentada no sofá, a música suave ecoava no ar. Acendi um cigarro e comecei a fumar. E ali fiquei, fitando no meio do nada, as formas em que o fumo se estava a transformar, e chorei. Chorei sem fim, por o sonho, não ser mais que uma recordação. Uma recordação dos tempos em que nem o sono, nem a preguiça eram mais fortes do que o nosso amor. Nada era mais forte do que aquele amor que me guiou para ti, que fez com que eu fosse a tua companheira de jornada, durante tantos anos que lhes perdi a conta. Agora a minha felicidade está presa a recordações. A nossa música, o teu perfume, as nossas gargalhadas, cheiros, sabores e até pequenos sons banais do quotidiano, são estes pequenos retalhos da nossa existência que me deram força para continuar a jornada da vida. Sim, porque agora já só me restam as tardes de sono e de preguiça que me fazem recordar o tempo que estavas comigo e eu... eu era feliz só por te amar. Não sei como nem porquê todas estas recordações fizeram-me sentir o teu perfume no ar. Levantei-me e fui até ao quarto, uma túlipa branca, repousava como por magia, junto da almofada que costumavas usar. Sorri feliz. Tinha sido mais do que um sonho. Tinhas-me ido visitar.

 

Texto de Ficção de minha autoria

Imagem retirada da Internet. 


sinto-me: romântica
música: buena vista social clube

Sopa servida Alfa às 10:00
Receita da sopa | Meta a colher | Esta sopa é deliciosa
|

2 comentários:
De daplanicie a 10 de Janeiro de 2009 às 15:30
Um conto maravilhoso onde se mistura o sonho com a realidade. Gostei muito!
Beijinhos


De Alfa a 19 de Janeiro de 2009 às 13:34
Obrigada, pelas tuas palavras. Este é apenas a primeira parte de um ensao que fiz escrevendo uma sequência ao longo de vários temas dos Anjos de Prata.



bjs


Comentar post

Quem é a cozinheira?
Procure no Caldeirão
 
Dezembro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
22
23
24
25
26

27
29
30
31


A sair do Caldeirão

Partiste

Palácio de Estrelas.

Uma Amiga especial

Top 5 de Verão!

Provérbio chinês

Para o ano 2012

Reflexão

desabafo um pouco mal edu...

Uma vida banal

Tesouros Valiosos

Entre a atracção e a razã...

In memoriam a um grande a...

Vai um café com leite par...

Sonhos

O 25 de Abril explicado à...

A arte de Dali que afinal...

Um estranho dia…

A Girafa Constipada

Um novo capítulo

O espelho da vida

As linhas que nunca foram...

Uma carta do passado.

Uma nova estrela no firma...

Fragmentos I - TARDES DE ...

Apenas em doze meses…

Feliz ano novo

Feliz Natal

Infielmente Fiel

Um Domingo diferente.

Chapéu Violeta

Sopas Servidas

Dezembro 2015

Agosto 2013

Julho 2013

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Outubro 2011

Agosto 2010

Julho 2010

Abril 2010

Maio 2009

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

tags

25 de abril

abandono

amor

anedota

aniversário

aniversário da bárbara

ano novo

aulas

aviso importante

avó

beijos

bem

bens materiais

borracha

carta

celebração

citaçõesguerra dos sexos

colecções

conto

conto ficção fábrica de histórias

conto infantil

conversa

coração dividido

crianças

cruz vermelha

dali pps arte ignorância

desafio

desejos

desemprego

desilusão

dia da mãe

dias normais

domingo

escrever

espelho

esquecer

euro 2004

euro 2008

fábrica de de histórias

fábrica de histórias

faca de dois gumes

falar

faxina

feliz natal

ficção

ficcção

força

futebl

guerra

história

história para crianças

história.

homenagem

homenagem acidentes de viação

humor

inocência

inspira-me

jogo

láis

lendas

liberdade

lmbra

mal

mar

memória

moldura

mulher

olhão

paixão

palavra

parabéns

pescadores

poder

poema

poesia

professora

quadra

refelexões

reflexão

rocha

sátira

saudades

sedução

segredos

sexo

tampax

tempo

traição

vela

velhice

velhice rétrarto

vida

violência

violência doméstica

todas as tags

As sopas mais saborosas

Sabor a azul do Céu...

Para que serve uma relaçã...

Um novo capítulo

Dias normais?

Dia de Faxina

Estarás sempre no meu cor...

Beijo melhor do que cozin...

O Erro do poeta

Coisas de Anjo

A Força da Chama

Meto a colher em
O Meu blog de Mamã
Crónicas de uma Mãe Atrapalhada
É Urgente olhar
logo da campanha Por Darfur
O Rádio da Sopa De Letras




a comer sopa
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds