Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
O CARACOL PREGUIÇOSO E A NUVEM TRABALHADORA

Era uma vez um caracol que andava a passear todo contente com as suas antenas ao sol. Enquanto passeava ele ia cantarolando:

Que lindo dia de sol!

Para andar passear

Que lindo dia de sol!

Eu sou um belo caracol

Que anda aqui a cantar…

Lá lá lá lá lá lá……

Andava então na sua vidinha muito satisfeito o caracol, espevitando muito contente as suas antenas o sol, a passear de folha verdinha em folha verdinha. Todo contente e satisfeito, mordiscava uma folhinha aqui, mordiscava uma folhinha ali e ia dizendo a toda a gente e encontrava que aquele era um belo dia. Um dia perfeito. Sim um dia perfeito para um caracol preguiçoso que nada gostava mais de fazer senão passear e comer alegremente de antenas ao sol.

 

Enquanto o caracol andava assim alegre na sua vida, espreitava uma nuvem marota e atrevida:

-“ Que bela vida tem este caracol. Deve ser bom, nada mais ter para fazer, do que passear ao sol. Mas eu tenho trabalho a fazer e por isso o sol vai desaparecer e agora vai chover”- pensou a nuvem divertida com a grande partida que ia pregar ao caracol que andava a passear -“coitado, quando der por ela, nem a casota lhe vai valer. Vai ficar todo encharcado!”- e riu-se num riso de nuvem muito molhado, pois ao mesmo tempo começou a enviar uma grande quantidade de gotas de água grossas e fortes que ao chegarem à terra deixaram tudo encharcado.

 O nosso caracol, é que inicialmente nem se apercebeu do que aconteceu. Tinha comido e passeado tanto que acabara por ficar cansado, e recolhendo-se para dentro da sua confortável casinha que sempre viajava nas suas costas adormeceu, bem instalado num folha comprida e verdinha. Mas com a força da chuva, a folha abanou e o pobre caracol rebolou e acordou! Tinha caído numa pequena poça de água que se tinha formado e ao sair cá para fora, com a curiosidade de saber o que estava acontecer, e tinha ficado encharcado. Olhou para o céu admirado,”para onde teria ido o sol?” pensava o pobre caracol todo molhado e desapontado.

Lá bem no alto no céu, estava entretida a brincar a nossa nuvem atrevida. Já se cansara de trabalhar. Agora era a sua vez de andar entretida. Ia começar a brincar ao faz-de conta das nuvens, acabava de fazer de conta que era uma nuvem flor quando ouviu o caracol a resmungar:

-Estava um dia tão bonito e tinha que vir uma nuvem pateta fazer chuva para o estragar!

 

A nuvem ofendida e muito inchada decidiu que estava na hora de responder àquele caracol preguiçoso que não fazia nada. Assim começou a chamar o caracol:

-Pssst pssst senhor caracol!

O caracol olhava, olhava e nada via em seu redor.

-Pssst pssst senhor caracol! Procure melhor!

O caracol continuava a olhar a para todo o lado sem ver quem o estava a chamar.

-Pssst! Pssst! Senhor caracol! Procure melhor! Sou eu a nuvem que estou aqui em cima ao pé de si!

-Ah! Só podia ser! - respondeu o caracol com cara de caso e de poucos amigos, pois não tinha gostado nada de ter ficado encharcado. - Onde é que já se viu molhar as pessoas que andam a passear, assim sem mais nem menos, sem sequer avisar? –resmungou amuado.

 

- Sabe senhor caracol enquanto andava o senhor a passear de antenas espevitadas ao sol, eu estava a trabalhar para que o senhor se pudesse alimentar e abrigar!

-A trabalhar?! Chama trabalhar a encharcar as pessoas? -retrucou indignado o caracol.

 Mas a nuvem muito calma e a sorrir continuou:

- Sim a trabalhar! Se o senhor teve folhas verdes e apetitosas para se deliciar e abrigar a descansar, do seu passeio ,mas se não fosse eu receio que passasse fome. Pois se eu não enviasse uma boa carga de água para que as plantas se pudessem alimentar e renovar ficado verdes viçosas, estas não só deixariam de ser tão apetitosas como morreriam de fome e de sede. Não morrerias tu de sede se deixasse de chover? O que irias beber? Talvez não fosse agradável ficar encharcado, mas olhe como está tudo mais bonito e verdinho! Ou vai dizer-me que não tinha notado?

  O caracol envergonhado com o seu egoísmo reconheceu que nunca tinha pensado que de facto a nuvem tinha razão. E também não era assim tão grave nem desagradável ter-se molhado, pois até se tinha refrescado e num instante tinha secado.

  Assim a nuvem e o caracol fizeram as pazes e tornaram-se grandes amigos, pois às vezes podia não parecer , mas se o caracol e outros seres viviam não era só ao sol que o deviam, mas também a nuvem que fazia chover para que as plantas pudessem e eles e os outros seres vivos tivessem água beber.

Conto escrito e ilustrado por mim dedicado à minha filha Bárbara, inspirado num Conto de António Torrado.

Flora Rodrigues

12 de Outubro de 2008

 

 



Sopa servida Alfa às 00:17
Receita da sopa | Meta a colher | Esta sopa é deliciosa
|

2 comentários:
De daplanicie a 16 de Outubro de 2008 às 21:30
Uma história encantadora com belas ilustrações. A Bárbara deve ter ficado muito feliz com a prendinha da mãe.
Beijinho


De Alfa a 10 de Fevereiro de 2009 às 14:45
Obrigada ela gostou e em algumas até participa. Se gostaste desta convido-te a visitar "um Conto de Reis"
http://umcontodereis.blogs.sapo.pt/

beijinhos


Comentar post

Quem é a cozinheira?
Procure no Caldeirão
 
Dezembro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
22
23
24
25
26

27
29
30
31


A sair do Caldeirão

Partiste

Palácio de Estrelas.

Uma Amiga especial

Top 5 de Verão!

Provérbio chinês

Para o ano 2012

Reflexão

desabafo um pouco mal edu...

Uma vida banal

Tesouros Valiosos

Entre a atracção e a razã...

In memoriam a um grande a...

Vai um café com leite par...

Sonhos

O 25 de Abril explicado à...

A arte de Dali que afinal...

Um estranho dia…

A Girafa Constipada

Um novo capítulo

O espelho da vida

As linhas que nunca foram...

Uma carta do passado.

Uma nova estrela no firma...

Fragmentos I - TARDES DE ...

Apenas em doze meses…

Feliz ano novo

Feliz Natal

Infielmente Fiel

Um Domingo diferente.

Chapéu Violeta

Sopas Servidas

Dezembro 2015

Agosto 2013

Julho 2013

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Outubro 2011

Agosto 2010

Julho 2010

Abril 2010

Maio 2009

Abril 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

tags

25 de abril

abandono

amor

anedota

aniversário

aniversário da bárbara

ano novo

aulas

aviso importante

avó

beijos

bem

bens materiais

borracha

carta

celebração

citaçõesguerra dos sexos

colecções

conto

conto ficção fábrica de histórias

conto infantil

conversa

coração dividido

crianças

cruz vermelha

dali pps arte ignorância

desafio

desejos

desemprego

desilusão

dia da mãe

dias normais

domingo

escrever

espelho

esquecer

euro 2004

euro 2008

fábrica de de histórias

fábrica de histórias

faca de dois gumes

falar

faxina

feliz natal

ficção

ficcção

força

futebl

guerra

história

história para crianças

história.

homenagem

homenagem acidentes de viação

humor

inocência

inspira-me

jogo

láis

lendas

liberdade

lmbra

mal

mar

memória

moldura

mulher

olhão

paixão

palavra

parabéns

pescadores

poder

poema

poesia

professora

quadra

refelexões

reflexão

rocha

sátira

saudades

sedução

segredos

sexo

tampax

tempo

traição

vela

velhice

velhice rétrarto

vida

violência

violência doméstica

todas as tags

As sopas mais saborosas

Sabor a azul do Céu...

Para que serve uma relaçã...

Um novo capítulo

Dias normais?

Dia de Faxina

Estarás sempre no meu cor...

Beijo melhor do que cozin...

O Erro do poeta

Coisas de Anjo

A Força da Chama

Meto a colher em
O Meu blog de Mamã
Crónicas de uma Mãe Atrapalhada
É Urgente olhar
logo da campanha Por Darfur
O Rádio da Sopa De Letras




a comer sopa
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds