Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora
Quarta-feira, 19 de Março de 2008
Desejo



Fecho os olhos

E vejo-te…

O teu rosto, o teu corpo

Fecho os olhos e sinto-te

Os teus lábios

A tua pele

O teu respirar

Fecho os olhos e desejo-te...

Procuro-te nos lençóis da minha cama

Mas tu não estás.

Sinto o teu cheiro, desejo-te...

 Mas tu não estás.

Busco-te na solidão branca

Dos lençóis vazios na cama,

Abro os olhos e nada vejo

Apenas o luar triste junto de mim existe.

Mas fecho os olhos e sinto-te

Tão perto de mim

Como se me fosses tocar,

Beijar o meu corpo.

 Mas tento-te alcançar...

E apenas na cama vazia consigo tocar.

Fecho os olhos consumida  de paixão,

Amada apenas pela solidão

Mas sei que um dia

Fecho os olhos e não te vejo

Durmo apenas um sono sereno

Calmo aconchegado

Acordo…

E estás ao meu lado.

 



Sopa servida Alfa às 12:07
Receita da sopa | Meta a colher | Esta sopa é deliciosa
|

2 comentários:
De João Cordeiro a 19 de Março de 2008 às 12:16
A tua modéstia transmite uma pessoa com senso e muito discreta.
Mas, deixa-me dizer-te que de novo fique surpreendido.
Apenas uma palavra: Parabéns.
Hoje e por qualquer razão gostava que fosse sexta-feira... uma sexta-feira qualquer...
Sexta-feira para milhões de indivíduos que viviam em locais precisos, ou se deslocavam, para os que estavam sós, que eram dois, que eram três.
Os que faziam amor e passavam um bom momento. Os que tinham feito amor, mas teriam preferido ler o último capítulo daquele romance “Fazes-me falta” de Inês Pedrosa. Os que bem gostariam de ter feito amor, mas que não tinham podido.
Era sexta-feira igualmente para as crianças que tinham pesadelos por causa do último telejornal, para as crianças que dormiam sorrindo a sonhar com o coelhinho que queria ver o mundo. Para os que tinham a vida atrás de si.
Para os que tinham nascido sem braços. Para aqueles que se beijavam pela primeira vez e não tinham nada para dizer.
Para os que acreditavam que o mundo seria um dia melhor, para os que julgavam que já não era tão mau assim. Para aqueles que compreendiam tudo, os que nada compreendiam, os que compreendiam vagamente duas ou três coisas.
Para todos os que davam com o cu no chão, para os chamados doutores em masturbação. Para os generosos, os avarentos, os belos, os menos belos, os francamente feios, francamente infelizes.
Para os músicos de bom ouvido, para os surdos que nem uma porta. Para os edificadores de sonhos, os mágicos e maravilhados. Para os gatos e cães. Para os pássaros nas gaiolas. Seria sexta-feira. Véspera de sábado.

Beijo sonhador


De Alfa a 20 de Março de 2008 às 12:32
Mais uma vez lhe agradeço as suas palavras. Não sei se é modéstia ,mas a verdade é que ao ler os seus textos e aqueles com que me presenteia , sinto que ainda tenho muito que evoluir, para consegui chegar a esse nível de sublime qualidades , que me deliciam os sentidos cada vez que os leio. É uma honra tê-lo como leitor. beijos de uma cozinheira de letras


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