Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora
Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
Flora e a calçada


Flora guia,

guia na calçada,

guia e não pode

que vai ensonada.

guia, Flora,

Flora guia,

guia que guia,

guia na calçada.

 

Saiu de casa

já atrasada;

regressa a casa

é já noite fechada.

No volante do seu carro

volta à estrada,

com o pé no acelerador

regressa esgotada

Anda Flora,

Flora guia,

guia que guia,

guia na calçada.

 

Flora é nova,

e bem despachada

tem um  carro velho,

para andar na estrada

Ferve-lhe o sangue

de irritadada;

quando está parada

Anda Flora,

Flora guia,

guia que guia,

guia na calçada.

 

Passam ciganos,

rapaziada,

lavam-lhes os vidros

fica irritada

Anda Flora,

Flora guia,

guia que guia,

guia na calçada.

 

Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na pasta

pousou-a esgotada;

bebeu da sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

bem ensonada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

juntou-se a ela

não deu por nada.

Anda Flora,

Flora guia,

guia que guia,

guia a calçada.

Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da pasta,

bem arrumada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada,

salta para a rua,

guia acelerada,

rasa o passeio,

desce a calçada,

chega à escola

à hora marcada,

fala que fala,

ralha que ralha,

fala que fala,

ralha que ralha,

fala que fala,

ralha que ralha,

fala que fala,

ralha que ralha;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre ao bar,

volta à toada,

fala que fala,

ralha que ralha,

fala que fala,

ralha que ralha,

fala que fala,

ralha que ralha.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Flora acelera até

à  calçada.

Anda Flora,

Flora guia,

guia que guia,

guia na calçada,

guia que guia,

guia na calçada,

guia que guia,

guia na calçada,

Anda Flora,

Flora guia,

guia que guia,

guia na calçada.

 

Plágio brincalhão de Flora Rodrigues

 

 

António Gedeão

 

 Teatro do Mundo (1958)


Ilustração fotos do sapo.


 


Sopa servida Alfa às 12:16
Receita da sopa | Meta a colher | Esta sopa é deliciosa
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2 comentários:
De Caty a 12 de Fevereiro de 2008 às 12:52
Olá...! :) Ao tempo que não lia isto! Lembro-me de quando era miúda, brincávamos a ver quem lia este poema mais depressa... saia cá uma confusão!!! Beijinhos


De Alfa a 18 de Fevereiro de 2008 às 13:54
olá. De facto ler depressa a calçada de carriche dá confusão. beijinhos


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