Letras atiradas ao acaso saídas de uma Caixinha de Pandora
Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
Quimera de almas
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Sinto que estás perto. Sinto o teu calor, o teu cheiro. A tua presença paira no ar. Sigo as cores e os aromas que me indica o teu rasto, pois sei que te pertencem. Não conheço o teu rosto. Mas conheço a tua alma melhor do que a minha. Sinto que estamos unidos num destino fatal. Fatal de incontornável. Sei que me pertences. Sinto que te pertenço. Prossigo na minha busca. Olho em redor e não te vejo. Estou cega, ofuscada pela luz do desejo. Obnubilada por esta quimera ingrata de te encontrar. Mas o desejo é mais forte do que eu.

 

Sei que também me sentes, que me buscas e me persegues. Persegues o meu cheiro, as minhas cores, sentes a minha presença no ar. Desconheces o meu rosto. Mas conheces plenamente a minha alma. É ela que te guia, que clama por ti através dos tempos, de todas as dimensões, de todos os mundos. Sinto que também o desejo te consome e a luz do desejo te ofusca.

 

 

 

Buscamos o nosso rasto cegamente. Cegos de paixão. De uma paixão mais forte que a razão. Descrevemos círculos intermináveis, caminhos elípticos e perdemo-nos no vácuo do infinito, nesta quimera desesperada das nossas almas para se reencontrarem.

 

Mas a voz do infinito sussurra que estamos mais próximos do que pensamos. Sentimo-nos porque caminhamos lado a lado, tão perto que o nosso respirar se pode cruzar. Traçamos rotas de destino paralelas. Mas o nosso destino é fatalmente incontornável.

 

O desencontro não será eterno, quando a paixão deixar de nos cegar, encontrar-nos-emos nos caminhos da razão, a nossa quimera findará e o nosso destino será finalmente cumprido, vencendo as malhas do tempo.

 

 

Mas para já continuarei a seguir o teu rasto até que o despertar surja e nos possamos encontrar desfazendo o grande equívoco do tempo que é o nosso desencontro.

 

 

30/05/03

 

 

Flora Rodrigues





Sopa servida Alfa às 17:20
Receita da sopa | Meta a colher | Esta sopa é deliciosa
|

19 comentários:
De Ohayo a 3 de Novembro de 2007 às 23:19
Gostei. Bonito texto. E que um dia todos encontremos os nossos caminhos, as nossas almas gémeas, o nosso destino, a nossa quimera.
Um Magnífico Fim-de-Semana!


De Alfa a 6 de Novembro de 2007 às 00:26
Obrigada,acho que a minha quimera alma gémea nesta vida está cumprida.Este texto é um pouco a história desta quimera.


De Ohayo a 6 de Novembro de 2007 às 10:50
Fiquei com uma questão... este texto foi escrito por ti?
Se já achava o texto especial... agora ainda o acho mais por ser a estória de um encontro real da tua quimera alma gémea. Uma estória linda. Quero daqui a uns tempos dizer o mesmo que encontrei a minha quimera alma géma. É bom saber que há quem a tenha encontrado.


De Alfa a 6 de Novembro de 2007 às 17:30
Sim , o texto é meu. É a minha história, porque acho que andámos sempre perto mas não nos víamos.


De Alfa a 6 de Novembro de 2007 às 17:34
Boa sorte para a sua alma gémea.


De Campeador a 5 de Novembro de 2007 às 21:10
Gostei da sopa.

Vale a pena voltar.

Um abraço.


De Alfa a 6 de Novembro de 2007 às 00:20
volte sempre e meta as colheradas que quiser.


De Campeador a 6 de Novembro de 2007 às 07:14
Congratulo-me pelo convite.

É sempre bom saber que existe alguma alma caridosa para nos servir um prato de sopa, talvez, para nos dar a alegria de ingerirmos algo de bom e nos lembrarmos da nossa presença na terra como humanos.

Voltarei sempre que me for possível .

Um abraço de reconhecimento



De Lua de Sol a 6 de Novembro de 2007 às 02:09
Está muito bonito, muito poético. Fala-nos de "almas gémeas", do destino, do amor que cega, do equilíbrio da razão. Gostei. Não é o meu preferido, porque adorei o passeio daquela que já não passeia como nós, mas este é o mais bem escrito de todos, até agora. A escrita está sublime. Parabéns!

Beijocas


De Alfa a 6 de Novembro de 2007 às 17:36
Fico feliz que tenhas gostado. Escrevi-o para os Anjos de prata,mas no fundo á minha história da minha quimera.


De primus a 6 de Novembro de 2007 às 12:29
Muito obrigado pelo seu excelente texto como transcreve o sentimento duma forma tão real, tem um toque de mágia. Algo que ultrapassa o entendimento comum da vida. Uma óptima semana.


De Alfa a 6 de Novembro de 2007 às 17:39
Deixa-me muito honrada mais uma vez pelas suas palavras.O sentimento expresso no texto é bem real acredite. É a história da minha quimera que teve um final feliz. Uma óptima semana igualmente.


De primus a 6 de Novembro de 2007 às 18:03
Os meus parabéns. Obrigado


De daplanicie a 7 de Novembro de 2007 às 19:03
Adorei o teu texto. Está maravilhoso, toca quem o lê.
Cumprimentos


De Alfa a 8 de Novembro de 2007 às 00:11
Obrigada.Essas palavras deixam-me feliz.Fico honrada por a ter como leitora.


De joão palmela a 8 de Novembro de 2007 às 15:39
Bonito Texto, Gostei, porque me tocou bastante. Parabens, um Abraço,
João Palmela


De Alfa a 8 de Novembro de 2007 às 23:29
Seja bem vindo ao meu cantinho. O nosso mar e a nossa rocha só parecerão por volta da meia noite.Vai perceber porquê.


De Infiel a 25 de Novembro de 2007 às 19:46
Bom dia

Não resisti a comentar que gostei imenso deste post
Nós sabemos a quem teremos de ter e de quem fazemos parte, por mais desencontros e equívocos temporais

Obrigado


De Alfa a 25 de Novembro de 2007 às 20:24
Antes demais bem-vinda a este cantinho. È um texto que me muito sentido , surge inspirado na minha história pessoal.Acredito em almas gémeas. Obrigada pelo teu simpático comentário


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