"Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, trocarem os pães, cada um vai embora com um. Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um com uma idéia, e, ao se encontrarem, trocarem as idéias, cada um vai embora com duas." Provérbio chinês
Alguém me explica porque é que um creme para tratar feridas no rosto parte vísisvel do corpo, custa o triplo de uma para tratar feridas no Cú que é parte do corpo normalmeente não vísivel?????(leia-se rabo ou ânus para o smais sensíveis)
Olhava no horizonte e via a criança que outrora fora, sentada sozinha, quase sempre sozinha, na companhia dos seus brinquedos. Não eram muitos, mas o que tinham chegava, pois tinha um que valia mais do que todos a sua imaginação. Um seringa vazia sem agulha e era enfermeira. Sonhou que o seria realmente quando crescesse. Queria ajudar os feridos de guerra.
Um quadro e um giz e era professora e pintora. Às vezes os cacos de tijolos arredondados apanhados na rua serviam de pratos e travessas para os jantares das suas bonecas. os cubos de puzzles também serviam para construir casas de brincar. E assim sozinha no meio dos seu brinquedos, do nada e da solidão, aprendera a sonhar. Às vezes para se entreter contava histórias a si própria, historias que imaginava para não se sentir tão só. Por vezes quebravam-lhe a solidão, quando a chamavam para ir comer. Depois regressava ao seu mundo, a sua varanda, os seus brinquedos, e os seus sonhos.
Por momentos voltava ao presente e via apenas o sol que se despedia, sentia os cabelos a esvoaçar, depois tornava a olhar o Horizonte e via-se a crescer sozinha, no meio de tanta gente que a rodeava. Não valia a pena partilhar os pensamentos com ninguém. Ninguém entendia que os seus pensamentos tinham crescido muito mais depressa que as suas pernas. Revia várias fases boas e más da sua vida e…, de repente viu-se reflectida a si própria poucos anos antes daquele momento. Sentiu uma onda enorme de carinho, de amor de calor, sentiu nos seus braços a vida frágil que acabara de nascer e um enorme sentimento de plenitude como nunca sentira antes a invadiu. Sorriu.
Agora reencontrava-se consigo, o pequeno ser eu gerara começava os pouco a ganhar as suas próprias asas e ela percebia que já era tempo de pensar em de novo. Começou a pensar nos sonhos que ficaram por cumprir. Ainda iria tempo de realizar alguns.
Regressou a casa, com o caminho iluminado pela lua.
Vestiu o avental fez o jantar. O marido e a filha chegaram. Trocaram palavras banais e triviais.
Depois ela foi adormecer a filha. Por fim , sentou-se ao lado do marido e assistiram quedos e mudos ao programa de televisão a que ele prestava atenção, enquanto a mente dela viajava.
Antes de deitarem ela perguntou-lhe:
-Que sonhos deixaste para trás na vida?
Ele olhou-a surpreendido. Sorriu.
-Nenhuns. - Respondeu ele – Porquê?
- Por nada, deixa para lá. Lembrei-me.
-Vou-me deitar. - Anunciou ele sem dar grande importância à questão.
Ela voltou à carga:
-Então és feliz?
-Sim, sou muito. Tu não és?
-Claro que sou, deixa para lá é minhocas da cabeça de quem passou muito tempo sozinha. Vamos deitar-nos.
Ela ficou a pensar que não mentira, mas não dissera a verdade. Uma parte dela era feliz. Outra clamava por mais, gritava que aquele mundo só não lhe chegava. Invejava-o porque ele conseguia ser feliz com o pouco que tinham. A vida banal de um casal banal. Não percebia porque é que isso a ela não lhe chegava.
No dia seguinte calçou os sapatos vermelhos que reservara para ocasiões especiais e partiu em busca de alguns dos sonhos que ficaram por cumprir. Decidira que iria lutar por eles, mas que no fim do dia ia sempre regressar ao primeiro sonho que conseguira realizar: a sua família banal, mas que para ela era especial.
Quem sabe um dia ela calçará mais vezes os sapatos vermelhos…
Conto de ficção escrito por mim.
Ilustração retirada da net .
Um raio de sol,
Um choro de criança acabada de nascer,
Um canto de pássaro;
Um sorriso de criança,
Um beijo babado,
Um gosto muito de ti mãe.
São factos simples
Mas muito valiosos
Tesouros valiosos
São rasgos de esperança
Afagos na alma
Promessas de futuro.
Entre a atracção e a razão
Haverá lugar para a paixão?
Será que me engano
Quando a sinto no ar
e tenho vontade de lhe dar asas para voar?
Quem não corre atrás de sonhos, esqueceu-se de viver,Mas quem só corre atrás deles também se esqueceu da sua vida real. É dificil o limite entre o sonho e a vida.
Hoje os meus alunos do quinto ano perguntaram-me o que foi o 25 de Abril. Estávamos nas aulas de Língua Portuguesa. Então expliquei-lhes. Houve uma altura em Portugal, que as pessoas que cá viviam não eram livres.
Não eram livres de falar, de discordar, não eram livres de dar a sua opinião. Tinha de se ter muito cuidado com o que se dizia e com o que se escrevia. Se não o fizessem iam presos. Mas vários grupos de homens e mulheres de grande coragem começaram a revoltar-se e apesar de muitos terem ido presos, muitos continuaram a reunir-se em segredo e um dia conseguiram reunir forças para libertar o país desse governo a que chamava Ditadura porque os homens só podiam fazer o que lhes era ditado.
Nesse dia muita gente festejou com os soldados que libertaram o país. Os homens que lideraram a revolução ficaram conhecidos como os capitães de Abril.
E mais importante ainda a nossa liberade foi conquistada sem se derramar sangue. Sem ter havido umamorte sequer.
Uma florista que ia a passar levava cravos na mão e começou a oferecê-los aos soldados. Assim o 25 de Abril é festejado como o dia da liberdade em Portugal e os cravos o seu símbolo. Espero que saibam merecer a vossa liberdade que a tanto custo foi conquistada.
texto de minha autoria
ilustração retirada da internet
Isto não é ficção infelizmente. Rodaram e ainda rodam por mail e etc 2pps que invocam Dali como o autor das obras de arte. O facto é que esses PPS são um pouco daqui e dali mas muito pouco ou nada de Dali.Sou apreciadora de arte e percebo qualquer coisa disso, embora haja quem perceba mais do que eu, mas certamente não são os ou autor desses PPS. E como o seu a seu dono vejam só como a internet pode tirar a cultura em vez de a dar , quando certos pseudo intelectuais irresponsáveis fazem rodar informações destas entre milhões. Não tiro o mérito à beleza dos pps mas o facto é que de Dali num deles não há quadro nenhum, e no outro só um.....
Passo a demonstrar detalhadamente:Série Arte /reflexão- Apresentar obras de Génios e meditar sobre mensaghens reflexivas
com foto de Dali o melhor do Surrealismo
1904-1980
Diapositivos
3-J.W-Above the Clouds
4 jimmmy warren -mulher vulcão-pelerising.jpg
5- J.W - Cascata Mulher islanddream.jpg
6- Vladimir Kush- Chegada do barco com Flores- Arrival of Flower Ship
7- J.W -beauty off fury.jpg
8- J.W- romance no mar
9-Kush Flery Dance
11-v.K Current- corrente
12-V.K- Candle
13- V.K-Sunsrise by the Ocean
14- J.W-_avalanche.
15-V.K- Contos eróticos
16-J.w- romantic
17-V.KBound For Distant shores
18-V.KTo the safe Heaven
19- “O DESENHO DE CRISTO CRUCIFICADO”
Este pequeno desenho de Cristo Crucificado - seu tamanho é de 57 X 47 mm - pintou-o João da Cruz durante sua permanência em Ávila, sendo vigário e confessor do mosteiro da Encarnação, entre os anos de 1572 e 1577
20- relógio de Dali-relógios Derretidos sim este é de Dali
21- Jimmy Warren- stairway to heaven
The Amazing art of Salvatore Dali
1- J.W-Above the Clouds
2-Vladimir Kush- Chegada do barco com Flores- Arrival of Flower Ship
3-jimmmy warren -mulher vulcão-pelerising.jpg
4-Fauna in La Mancha
5-immmy warren- romance at Sunset
Kush Flery Dance
6-Kush Flery Dance
7- jimmmy warren-Ocean Dreams
8-V.K Current
9- J.W-_avalanche.
10-V.kush -desconeço o nmome da pintura
11-J.W -beauty off fury.jpg
12-V.K- Candle
13-J.W - Cascata Mulher islanddream.jpg
14V.kush -desconeço o nmome da pintura
15- donm´t messs with mother nature
16V.K- Contos eróticos
17-J.W- War and Peace.jpg
19-V.K-Book of Books.jpg
20-V.KTo the safe Heaven
21-V.K-Sunsrise by the Ocean
22-V.K Breach
23-V.k-Genealogy Tree
24-V.k Departure of the Winged
25-V.KBound For Distant shores
26-J.W tarde Roântica
27- Desconheço mas duvido que seja de Dali
Levantei-me já em cima da hora para apanhar o autocarro, mas consegui pensei que até fui bem rápido. Cheguei mesmo a tempo. Foi o autocarro a chegar à paragem e eu a chegar. Assim que subi percebi que me esquecera do passe por isso toca de pagar bilhete. Estava distraído com os meus botões a pensar na surpresa que lhe iria fazer quando chegasse a casa com aquele raríssimo livro que ambos tanto queríamos. Suspirava de alívio por ter conseguido apanhar o autocarro, quando reparei que o percurso que este fazia, não era o que eu pensava.
Perguntei ao motorista o que se passava e depois dele me explicar percebi que me precipitara e tinha entrado no autocarro errado. O meu tinha-se atrasado e chegara de pois deste. Apesar disso, pensei que ainda tinha solução, pois apesar do percurso ser diferente, naquele local, se saísse na próxima paragem ficava perto da loja que eu queria ir. Mas teria de ir a pé. Assim fiz. Saí e meti mãos à obra, ou melhor pés a caminho.
Já me encontrava a meio do caminho quando uma senhora de idade que facilmente identifiquei como invisual me pediu que a auxiliasse até à loja que eu queria ir. Dispus-me prontamente que ainda sou do tempo em que sentimos orgulho em ser cavalheiros.
Chegados á loja ela agradeceu-me e entrou dirigindo-se aos locais que lhe interessavam sozinha, pois era cliente habitual daquele alfarrabista
Perguntei pelo livro que vira ontem à noite na montra, mas para minha grande decepção disseram-me que me ter enganado na montra. Mas eu sei que não, eu sei não, não foi engano. Que nunca tiveram nada daquilo na montra. Fico triste e caminho de regresso a casa, dirigindo-me para a paragem de autocarro mais próxima. Mas começo a sentir fome, passo por um café e entro. Os pastéis de natas parecem pedir para serem comidos. O aroma do café é agradavelmente envolvente, sempre me seduziu. Peço um café e um pastel de nata. Saboreio-os lentamente. No fim vou para pagar e reparo que estou sem carteira e sem dinheiro, fico igualmente sem jeito. Penso numa solução. Lanço a mão ao bolso e tenho o telefone no bolso. Ligo a minha amada e peço-lhe que venha ter comigo urgentemente. Falando em voz baixa para que o dono do café não se aperceba da minha aflição. Enquanto ali estou a ver as pessoas passar apressadas como formigas sem terem sequer tempo de olharem a paisagem das suas vidas, penso que nas dores que sinto nos pés. A caminhada fizera-me uma enorme bolha em cada um dos meus pés. Vou tentando pensar no que vou dizer. O que faço naqueles lados. Ora que parvoíce, direi a verdade procurava um livro.
Meia hora depois chove granizo lá fora. Parece impossível de manhã o sol, estava tórrido, cheguei a suar. Finalmente ela chega. Neste momento sinto-me com uma enorme dor de cabeça. Devia ser do tempo de chuva, com estas alterações de clima a minha sinusite faz-me sempre dores de cabeça. Felizmente ela estava ali na minha frente. Reprovando-me com um ar maternal:
-Estás de baixa com febre, não devias estar aqui. Nem devias ter saído de casa.
- Já me sentia melhor, quis apanhar ar…mas agora acho que tens razão, o que fiz não teve pés nem cabeça, aliás de caminho nem eu tenho pás nem cabeça com as dores que tenho.
Já no carro, reparo num embrulho de papel pardo dentro de um saco do alfarrabista de onde saíra.
-O que é isto? - Perguntei.
-Olha, sabes, ajudei uma velhinha invisual a chegar até aqui, ela disse que eu era a segunda alma bondosa que encontrava neste dia, e que tinha feito um a estranha promessa de oferecer algo, à segunda pessoa que acedesse a ajudá-la nesse dia.
Sorri e descrevi a velhinha que ajudara, perguntando se era mesma ao que ela me respondeu que sim, sem sombra de dúvida.
- E o que é isto, sabes?
- Não. Estava com pressa de te ir buscar. Estava preocupada. Ainda bem que estou de férias, olha só a alhada em que te ias metendo. Mas se quiseres abre…também estou curiosa.
Confesso que não consigo controlar tal como as crianças, a curiosidade de abrir um embrulho e mal o fiz, fiquei estupefacto:
Ali ainda dentro do papel de embrulho que eu acabara de abrir estava o livro que ambos tanto queríamos e que me tinha dito quer não existia naquele local.
Passei as mãos pela capa e pensei como aquele tinha sido um estranho dia sem pés, nem cabeça…
Devia ser da febre que sentia naquele momento
Acordei com a voz dela:
-Sentes-te melhor?
-Sim. - Respondi ainda ensonado e a relembrar o início do dia, pensei que sonhara.
Porém ao esticar o braço para agarrar o copo de água na mesa-de-cabeceira percebi, que fora real. Agora completamente desembrulhado, ali estava o “Almanaque dos mitos urbanos” que tanto desejara ter. E algo escrito na capa não me faria tão cedo para de cismar:
" A verdadeira bondade é como a justiça: cega, pois aquilo que pensamos ver nem sempre é aquilo que vemos"
Conto de ficção de minha autoria para a fábrica de Histórias
Ilustração retitrada da net
A girafa Catarina era uma linda girafa pequenina, pois ainda era menina. Como todas as meninas pequeninas a nossa girafinha gostava brincar, saltar e pular. Mas também gostava de comer as folhas verdinhas e apetitosas das árvores altas da selva, que eram as mais saborosas. Na verdade as girafas adoram essas folhas e como as mais apetitosas nascem logo nos ramos mais altos das árvores, todas as girafas para as poderem comer têm um elegante pescoço comprido, mas bonito e colorido. Contudo a pobre girafinha tinha um problema que a andava a maçar, é que ela passava vida constipada, o que para uma girafa é uma grande trapalhada. Pois, com aquele pescoço comprido e a passar vida a espirrar, a pobre girafa via-se muito embaraçada. Assoar o nariz com aquele pescoço comprido era uma confusão e por vezes derrubava as folhas para o chão. A girafa Cristina que era mãe da girafa Catarina começou a ficar muito preocupada coma situação, pois cada vez que pequena girafinha se constipava era uma complicação. O que valia era que raramente chovia e com o sol a brilhar a constipação costumava ser rápida a passar.
Mas um belo dia estavam as duas girafas mãe e filha a almoçar as folhas apetitosas pelas quais eram tão gulosas e estavam tão entretidas e distraídas que nem deram por aparecerem umas nuvens atrevidas e um pouquinho malvadas, que vendo as girafas distraídas, acharam piada deixá-las todas molhadas. As pobres girafas estavam tão distraídas a comer que, quando começou a chover foram apanhadas desprevenidas, e não tinham onde se esconder. As pobres girafas ficaram encharcadas, foram para casa a correr mas já estavam todas molhadas. Tentaram secar-se o mais rápido que podiam e conseguiam, mas já não havia nada a fazer a girafa Catarina ficou tão constipada que nos dias seguintes nem conseguia comer. Foi então que a sua mãe decidiu levá-la ao médico.
O melhor da selva era o Doutor Hipopótamo Heitor, que, por ser gago era conhecido como o Doutor Heitor Tor, pois sempre que se apresentava, ficava um pouco nervoso e gaguejava. De início, o Doutor Heitor Tor pensava que os outros animais da Selva estavam a gozar com ele por ser gago, até que compreendeu, que alguns animais nem se apercebiam da sua gaguez e pensavam mesmo que aquele era o seu nome. Viu que afinal não faziam por mal, que não era por malvadez, nem estavam a gozar com a sua gaguez, e até começou a achar piada ser conhecido como o Doutor Heitor Tor.
Assim que a Girafa Catarina se aproximou, mal podendo falar, o Doutor apresentou-se:
- Olá bem-vinda ao meu consultório. Eu sou o Doutor Heitor Tor e quero curar a tua dor!
_ E eu bem preciso Senhor Doutor.- Respondeu a girafa numa voz muito sumida e fanhosa, pois tinha a garganta dorida e estava muito ranhosa.
Nem precisou de falar mais, para O Doutor Hipopótamo perceber o que estava a acontecer:
- -Pobre menina tens uma doença rara das girafas, é uma Girafite aguda, que faz com que constipes com muita facilidade. Tens de andar com o pescoço bem agasalhado, se não isso nunca vai ficar curado., e tens também de beber muito sumo de tangerina. A girafa Catarina respondeu que era fácil beber o sumo da tangerina mas o que ia ser difícil lera ter o pescoço agasalhado, era muito complicado.
O Doutor Heitor Tor depois de muito pensar chegou à conclusão que um cachecol fofinho era o melhor para agasalhar, o pescoço comprido da girafa Catarina e também lhe aconselhou quem lho podia tricotar, a sua amiga aranha Teca, que morava no cimo da Colina.
A girafa Catarina, ficou cheia de medo e disse ao doutor que tinha ouvido dizer que a aranha Teca era muito perigosa, e tinha uma enorme teia gigante onde que prendia quem apanhasse desprevenido e que enfeitiçava quem por lá passava e nunca mais ninguém voltava.
O Doutor riu a bom rir, e disse que tudo isso era um disparate sem nenhum sentido, que tinham inventado por ela morar num sítio muito escondido e ser uma aranha muito grande. Alguns animais tinham também muita inveja da Aranha ser tão habilidosa e ter uma fabulosa teia, por isso inventavam mentiras para afastar quem a quisesse visitar. Tranquilizou-a, dizendo que era amigo da Teca, que, já lhe tinha tricotado roupas para o seu filho bebé. Por isso aconselhou a Girafa a dizer que a ia aconselhada pelo seu amigo Doutor Heitor Tor, fazer o pedido de lhe tricotar um cachecol para o pescoço comprido. Como a Girafa Cristina confiava muito no Doutor não hesitou em levar a sua menina a Aranha para lhe pedir então o favor de lhe tricotar um cachecol. O caminho era ainda um pouco demorado, e Aranha morava mesmo no cimo da colina numa gruta isolada.
Assim chegaram lá depois de uma grande caminhada. Encontraram a aranha muito atarefada a tricotar um belo cachecol amarelo às bolinhas que parecia mesmo a pele das nossas girafinhas.
-Entrem, entrem, disse amavelmente sem parar de trabalhar.
-Já sei o que aqui vêm buscar! Está quase pronto a usar!
- Obrigada Dona aranha, mas como sabia?
- O doutor Heitor teve medo que demorasse para me encontrar, por isso pedia à amiga pomba Maria o favor de me avisar, que me viriam pedir uma cachecol para um a girafinha se agasalhar.
As girafas estavam encantadas com a teia brilhante e colorida onde a aranha Teca se encontrava a trabalhar e gentileza da Aranha era de pasmar. O Doutor Heitor tinha razão, melhor tricotadeira não se encontrava na região. Por isso era a inveja que a muitos fazia falar e a difamar.
A aranha como pagamento só quis que girafa lhe alcançasse umas folhas verdes e umas flores que ela não conseguia alcançar, para sua casa decorar.
Assim mãe e filha foram-se embora muito contentes, com um cachecol lindo de encantar no pescoço da girafinha Catarina que agora estava quentinho, com aquele cachecol fofinho. Assim nunca mais se iria constipar.
Conto escrito e ilustrado por mim (Flora Rodrigues) com participação da minha filha de 3 anos e meio que escolheu o nomes dos personagens do Doutor e da Aranha.
Dedicado à minha sobrinha Catarina Aleixo.
(Post programado)
Publicada in Um conto de Reis
Fazia vinte anos que trabalhava naquela empresa, no dia em que recebeu a triste notícia que os seus serviços já não eram necessários naquela empresa, pois vivia-se uma época de crise e a empresa tentava sobreviver reduzindo o pessoal.
Um enorme desgosto invadiu-lhe a alma, por outro lado teve uma enorme sensação de alívio. Já não lhe pagavam o ordenado há dois meses e começava a cansar-se de viver sem saber como ia ficar a sua situação na empresa. Pensou na parte positiva da questão, tinha três filhos, duas meninas e um menino. Dois deles ainda muito pequenos, iria ter mais tempo para ficar com os filhos e sempre podia contar com o apoio dos seus sogros que durante o tempo que trabalhava lhe tomavam conta dos filhos. Por outro lado a situação do marido ainda lhes permitir algum desafogo financeiro e ao fim de algum tempo receberia o dinheiro que a empresa lhe devia. Arrumou as suas coisas, não sem alguma tristeza, despediu-se dos colegas de tantos anos com quem crescera, trabalhar, refilara, com quem repartira tristezas e alegrias, fracassos e sucessos e fechou aporta atrás de si com a sensação de ter encerrado para sempre um longo capítulo na história da sua vida. O que seguiria era para ela ainda um mistério.
Nos dias que se seguiram aproveitou para ir pondo em dia as coisas que tenha atrasadas na sua casa. Pegou nos filhos mais pequeninos e brincou com eles como nunca tivera tido tempo. Levou a mais velha a sítios onde nunca a tinha levado. E começou um novo ritual lá em casa . Assim que a mais velha chegava da escola, contava-lhes uma história e todos faziam desenhos a seguir, sobre a história.
Ao fim de uns meses com os filhos a pedir-lhe que repetisse as histórias vezes sem conta, começou a escrevê-las e a ilustrá-las com os desenhos dela e dos filhos. No final do ano já tinha um pequeno livrinho que por piada decidiu mandar encadernar. E este era o livro de histórias preferidas de todos na sua casa. Assim houve um dia em que o professor da mais velha pediu que levassem os seus livros preferidos e está claro que a menina levou o livro de histórias da sua mãe.
No fim da aula o professor estava encantado e mandou um recado à menina para que a sua mãe fosse á escola falar com ele.
Ela foi falar com o professor, mas não fazia ideia qual era o assunto , pois ela não sabia que a menina tinha levado o livro e o recado só pedia que fosse falar com o professor um assunto de seu interesse. Ia preocupada com a filha, como nunca recebera queixas e não sabia o que se passava ia um pouco apreensiva.
Assim que lá chegou o professor foi muito cortês e agradeceu-lhe o facto de ela ter aparecido prontamente. Apresentou-lhe o livro dela dizendo-lhe que tinha ficado tão encantado e revelou-lhe que era escritor e igualmente sócio de uma editora. De seguida propôs-lhe que publicasse aquele livro. Ela ficou muito aliviada por nada de preocupante se passar com a filha e aceitou a proposta do professor, após muita insistência pois não acreditava que alguém mais se interessasse pelo livrinho. Mas estava enganada. O professor tinha razão. O livro era tão original e genuíno que se transformou no primeiro de muitos sucessos literários que ela iria ter ao longo da sua vida, pois transformou-se numa famosíssima escritora de histórias infantis no seu país. E nunca conseguiu deixar de se sentir agradecida por a terem despedido, só ficou com pena, que tivesse perdido vinte anos sem perceber que podia chegar m ais longe. Mas como a sua avó que lhe incutira o gosto por contar histórias dizia: Tudo tem a sua hora marcada na agenda do destino.
Conto de ficção escrito por mim para a Fábrica de Histórias
ilustração retirada da internet.

Olhou para o espelho, a imagem que este reflectia era de uma mulher de idade, triste e pensativa cujo rosto se encontrava sulcado pelas marcas do tempo como ela gostava de se referir às rugas. Não era o rosto jovem e belo que muitos anos atrás a encantara, mas tinha algo de especial. O seu rosto contava histórias. Cada sulco, cada traço vincado no seu rosto trazia-lhe à memória os momentos bons e maus que tinha vivido, os rosto jovens e lisos daqueles que tinham partido cedo demais, os rostos de quem amara e de quem a amara, que, já tinham partido, o rosto daqueles com quem se desencontrara ao longo da grande viagem da sua vida. Olhava-se no espelho e curiosamente o seu rosto marcado pelo passar dos anos trazia-lhe à memória outros rostos, de outros tempos e entre esses rostos vinha-lhe à memória o seu próprio rosto no dia em que vira pela primeira vez um espelho.
Provinha de uma família humilde onde a grande felicidade era conseguirem todos terem um prato de comida na mesa. A mobília era reduzida e tosca feita à mão pelo pai, Pastor de profissão que no pouco tempo livre, que, tinha se entretinha a trabalhar a madeira. As roupas eram poucas e tinham sido costuradas pela mãe. Eram lavadas vezes sem conta, para as poderem usar sem o odor do suor.
Viviam numa localidade rural perdida no meio da serra no interior do país onde a luz e a água canalizada só chegaram depois de ela ter parido o primeiro filho sozinha de cócoras, por a parteira da região vizinha não ter conseguido chegar a horas.
Casara com o seu único amigo de infância, mas este cansado de sentir preso pelas montanhas da serra que cercavam a paisagem, decidiu tornar-se vendedor e percorrer o mundo, o que, quando ela não o podia acompanhar lhe trazia muitas horas de solidão, mas nas alturas em que o podia acompanhar sentia-se muito feliz por ele ter escolhido essa vida. Pois foi graças a isso que conseguir da sair das grades de montanha e partir para uma vila mais civilizada. Porém secretamente na alma dela sentia saudades das montanhas, da solidão e da quietude da serra a que se habituara. Sentia saudades de fazer amor debaixo de um pinheiro manso ouvindo o balir das ovelhas, sem que tivessem que se preocupar se aparecia alguém ou não, pois ali não ia vivalma com medo de se perder e só se atrevia quem nascera naqueles caminhos.
Estava grávida do primeiro dos seus catorze filhos quando o marido lhe trouxera uma prenda especial.
-Abre. - Disse ele com uma ansiedade indisfarçável - mas tem cuidado que se pode partir!
Ela abriu e viu um rosto belo de mulher, traços perfeitos, os cabelos castanhos dourados reluziam e os olhos azuis pareciam dois lagos de água límpida, a boca perfeita sorria.
- É uma bela fotografia (conhecia fotografias apenas porque ele lhe mostrara nas suas primeiras viagens), mas porque me trazes uma foto de uma jovem que nem conheço?
-Porque essa jovem é tu, e quis que todos os dias soubesses como o teu rosto é belo. O que tens na mão chama-se espelho e o rosto que ele emoldura é o teu.
Olhou de novo para o espelho, e o rosto emoldurado por um lenço e marcado pelas linhas e sulcos do tempo, devolveu-lhe a imagem que ela vira pela primeira vez no espelho. Atrás dela viu o marido de quem se despedira um ano antes, a sorrir. Depois o espelho deixou de reflectir o seu rosto e apenas reflectia o seu quarto em redor. E a fotografia que desta vez o espelho emoldurava, ao mesmo que a surpreendia, trouxe-lhe um sentimento de paz e felicidade.
Deitada na cama, rodeada pelos seus entes queridos que dela se despediam lacrimosamente, o seu rosto idoso cansado repousava sereno, sorrindo feliz.
“Querido Diário
Não escrevo data nem ano pois este assunto é demasiado delicado, assim será intemporal. É demais para mim calar este segredo que atravessou gerações. Sinto angústia, um nó na garganta, Porquê eu? Logo eu porque haveria eu de ser escolhida para guardar um segredo desta dimensão. Um segredo que me dá o poder de destruir famílias, quem sabe de causar mortes e desgostos, mas que por outro lado poderia trazer a felicidade desejada para alguns.
Só em ti, posso confiar e nem a ti o posso contar. Sinto-me como aqueles Druidas que eram autênticos livros cujos segredos passavam oralmente de geração em geração. Só que o meu segredo tem de permanecer calado, fechado, angustiado e sem salvar quem posso salvar. Só há uma maneira de aliviar a minha consciência deste segredo. Deixar que o descubram, sem que seja eu a o dizer. Sim dessa forma nunca trairei o segredo dizendo-o, mas se o descobrirem destruirá famílias. Que posso eu fazer?
Não sei. Alivia-me desabafar aqui os meus pensamentos, mas aliviar–me - a ainda mais se pudesse confiar em alguém, para contar aquilo cujas dimensões são tão grandes, que me pesam demais na alma.
Poderei em ti confiar? Não sei, não sei. Ninguém sabe da tua existência. Somente eu. Quem me passou tal fardo para a consciência já não pertence ao mundo dos que respiram entre nós, pelo que me resta a mim ser a guardiã desta poderosa revelação cujas consequências temo se um dia a revelar. Mas por outro lado quantas vidas não permanecerão infelizes se o não fizer?
Não há como o saber a não ser que um dia seja revelado por acidente. Mas não consigo partir de alma tranquila levando-o comigo para sempre. Por isso vou arriscar aliviar o meu sentimento de culpa nas linhas que seguem…”
Foi apenas esta a página do Diário que os seus parentes conseguiram ler depois de a encontrarem no seu sono eterno na sua poltrona, o seu leito de morte.
Talvez haja segredos que nunca devam ser revelados. Quem sabe desta forma ela teve a resposta às suas dúvidas. Foi assim que todos pensaram e o segredo morreu com ela para sempre, mas ficou em todos a desconfiança de qual seria a enorme nuvem que continuava a pairar sobre a sua família.
Conto de ficção de minha autoria para a Fábrica de Histórias.
Ilustração retirada da internet.
Regressava da missa, matinal embrenhada nos seus pensamentos. Mentalmente ia ordenado as tarefas do seu dia para não mergulhar na solidão da sua viuvez. Tinha sido feliz com o marido, mas ficara-lhe sempre na alma se não teria sido mais feliz com Rafael a grande paixão da sua vida que partira para trabalhar e um dia sem mais nem menos deixara de dar notícias. Esse sim, fora a sua grande alma gémea a que ela perdera na viagem atribulada da sua vida. Mas se ele deixara de dar notícias é porque se calhar não era quem ela pensava, e consolando-se no oportuno ombro do melhor amigo de Rafael, que, também ficara sem notícias dele, acabou por se casar com este. E aos poucos acabou por deixar cair a memória de Rafael no baú das recordações esquecidas. Assim ia organizando a sua vida, de modo a que a solidão não lhe pesasse, após a viuvez. Dedicara-se à Igreja e ao voluntariado. Ajudava a distribuir roupas pelos mais carenciados e sentia-se útil. Pois apesar, de já ter setenta anos contados precisava de se sentir activa ou mergulharia na solidão e na tristeza. Ao chegar a casa repetiu os rituais e todos os dias. Regou as flores. Deu de comer ao gato e foi à caixa de correio. Além das contas e da publicidade já só uma prima afastada e viúva como ela lhe escrevia.
Por isso se admirou quando verificou uma carta manuscrita com uma caligrafia perfeita. E um selo estrangeiro. Desconhecia o seu remetente, mas verificou que o nome e morada do destinatário estavam correctos. Curiosa abriu a carta. Dentro desta estava outra carta já amarelada pelo tempo dobrada, do seu amado Rafael e por fora uma nota que dizia o seguinte:
“Cara Senhora,
Espero que finalmente esta carta encontre ainda a tempo a sua destinatária. Encontrei estas cartas entre uns pertences de meu tio, esquecidos na arrecadação de meus pais. Desculpe ter lido a carta, mas ainda bem que o fiz, para que memória de meu tio possa descansar em paz, pois ele faleceu sem ter conseguido enviado a carta, que, creio ser importante que a sua destinatária leia o seu conteúdo.O meu tio morreu de acidente e nunca as chegou a enviar”
Ela abriu a carta e dentro da mesma,tinha várias cartas dirigidas a ela, a explicar que ia para o estrangeiro para casa de uma irmã juntar dinheiro para casarem e uma última onde juntamente com tudo o que lera antes, a pedia em casamento. Os seus olhos encheram-se de lágrimas de alegria e no meio das suas lágrimas pareceu-lhe ver o rosto de Rafael a sorrir à sua frente.
Conto de ficção
de minha autoria para a Fábrica de Histórias
ilustração retirada da net

Desde que nascera, que lhe diziam que um dia iria ser uma estrela, que um dia iria brilhar. Cresceu com esta convicção. Sempre conseguira ser popular entre os amigos, mesmo sendo dos melhores alunos do liceu. Também era popular entre as mulheres. Todos gostavam dele e não se podia queixar da vida. Mas brilhar como sempre lhe disseram, brilhar verdadeiramente como sempre sonhara, isso não conseguira ainda.
Era noite do dia de reis, e ele dava o seu passeio diário pela chegada da noite. Gostava daquele momento em que, se sentia bem consigo próprio e com a sua solidão. O que já não suportava era a solidão que sentia quando uma multidão de pessoas que nada lhe diziam, o rodeava. Olhava as casas, as ruas, as poucas pessoas com quem se cruzava. Espreitava com o olhar pelas janelas de persianas subidas e imaginava os seus habitantes e as suas vidas.
Quando existiam estrelas no céu gostava de as contar e de lhes dar nome, e continuava o passeio conversando com elas e desafogando as suas mágoas. Gostava de se confessar às estrelas para ele era um ritual sagrado como se entrasse em contacto com o divino.
Acabava de confessar os seus pensamentos mais íntimos à estrela a que dera o nome de Mirabelle, quando reparou que esta se começava a deslocar. Um pouco por brincadeira, lembrando-se da história dos reis, um pouco por curiosidade e mesmo por instinto ou intuição começou a segui-la por caminhos que nunca antes imaginara pisar ou mesmo calcorrear. Seguiu-a até se encontrar numa montanha erma e isolada, onde as estrelas pareciam muito maiores e brilhavam mais do que nunca. Foi do meio desta luz que ela surgiu, a mulher mais bela que ele já vira, de cabelos longos, negros como o azeviche, irradiando uma aura azulada.
-Quem és tu?- perguntou ele um pouco receoso de estar na presença de um fantasma, embora a criatura mais bela que vira em toda a sua vida.
Nume voz melodiosamente suave, ela respondeu:
- Não temas. Sou aquela a quem chamaste Mirabelle. Sou uma estrela de outro mundo. Venho de um mundo ao qual desejas pertencer, pois almejas alcançar os segredos do infinito e já nada tens a aprender neste mundo.
- N.. Nã.. Não pode ser real- disse ele gaguejando -Devo estar a ter alucinações. Li histórias demais.
Ela aproximou-se e tocou-lhe:
--Não te preocupes. Passei pelo mesmo.Tudo é real, mais real que o mundo de faz de conta em que tu vives, para que ninguém se aperceba que almejas muito mais do que possam imaginar. Outrora fui como tu, uma humana com alma de estrela, que não conseguia brilhar, nem encontrar o meu lugar neste mundo. Até chegar a hora do chamamento. Mas agora sou feliz, brilhando no Universo para sempre e sempre que brilhamos ajudamos outras almas a serem felizes. Vem comigo. Segue o meu chamamento para a felicidade… - e estendeu-lhe a mão aguardando a sua decisão.
Ele olhou para trás e recordou a vida vazia que levava. Não tinha nada a perder, nem ninguém a quem se prender. Estendeu a sua mão para a dela aceitando o convite. Imediatamente sentiu dentro de si uma felicidade indescritível como nunca sentira na vida.
O seu destino finalmente se cumpriu. Agora brilha no firmamento com outras estrelas, iluminado as almas que se confessam a elas.
Conto de ficção de minha autoria para a Fábrica de Histórias.
Ilustração retirada da net.
Entraste devagar, calado com o teu ar de sempre, silencioso e cansado. Encontraste-me sentada no sofá, com a televisão desligada. O rádio passava uma música suave, num tom baixinho, agradável, suave como a própria música. Eu estava a fumar e fitava no meio nada, as formas que o fumo que eu exalava, tomavam. Acercaste-te de mim e perguntaste-me: "- O que tens?" respondi-te sorrindo "- Preguiça!". "- E tu?" - perguntei eu, - "- Tenho sono!" - respondeste-me e sentaste-me ao meu lado. Ficámos assim lado a lado. Silenciosos, apenas fitando o fumo que brincavas às formas no ar. Como era bom estar assim, junto de ti, sabendo que o silêncio podia também ser uma forma de amar. Com ar, ainda mais ensonado, do que quando tinhas chegado, afagaste-me suavemente o rosto. E sem falarmos nada, beijámo-nos. Os nossos corpos envolveram-se numa carícia única, num amor sem fim, sem trocar uma única palavra, mas dizendo mais que nunca!
Depois ficámos ali parados, olhando um para outro e finalmente quebraste o silêncio:
"- Estás bem?" - acenei-te que sim com cabeça e puxei-te para o meu lado. Adormeceste vencido pelo sono, mas sorrias de felicidade. Eu fiquei ali acordada, escutando a tua respiração, a melodia suave que ecoava no ar, e tentando guardar para sempre o calor do teu corpo junto de mim. Depois tive sede, levantei-me fui à cozinha buscar água e quando voltei abri a porta da sala... acordei!
Olhei à minha volta, ainda estremunhada, tudo estava como no início. Eu estava sentada no sofá, a música suave ecoava no ar. Acendi um cigarro e comecei a fumar. E ali fiquei, fitando no meio do nada, as formas em que o fumo se estava a transformar, e chorei. Chorei sem fim, por o sonho, não ser mais que uma recordação. Uma recordação dos tempos em que nem o sono, nem a preguiça eram mais fortes do que o nosso amor. Nada era mais forte do que aquele amor que me guiou para ti, que fez com que eu fosse a tua companheira de jornada, durante tantos anos que lhes perdi a conta. Agora a minha felicidade está presa a recordações. A nossa música, o teu perfume, as nossas gargalhadas, cheiros, sabores e até pequenos sons banais do quotidiano, são estes pequenos retalhos da nossa existência que me deram força para continuar a jornada da vida. Sim, porque agora já só me restam as tardes de sono e de preguiça que me fazem recordar o tempo que estavas comigo e eu... eu era feliz só por te amar. Não sei como nem porquê todas estas recordações fizeram-me sentir o teu perfume no ar. Levantei-me e fui até ao quarto, uma túlipa branca, repousava como por magia, junto da almofada que costumavas usar. Sorri feliz. Tinha sido mais do que um sonho. Tinhas-me ido visitar.
Texto de Ficção de minha autoria
Imagem retirada da Internet.
A cada badalada, uma passa. A cada passa um desejo. A cada desejo um mês para o concretizar. Doze badaladas, e doze passas depois tinha doze meses pela frente para concretizar cada novo desejo. Em Janeiro desejou apaixonar-se. Estava Janeiro a terminar e não havia forma de se apaixonar. Riscou o primeiro desejo da lista com um x vermelho. Em Fevereiro iria mascarar-se pela primeira vez na vida. Ganhou coragem e saiu vestido de Arlequim cruzou-se por acaso com uma Columbina. Marcou dois certos verdes na agenda de Fevereiro. Em Março terminaria a compra da casa, mas só conseguiu alugar uma. Marcou um certo verde com um traço vermelho.
Em Abril convidou-a a partilhar da sua vida. Mais um certo verde na agenda. Mas o casamento em Maio foi um x vermelho porque tiveram de esperar pelo certo de Julho. Em Junho queria estar rico, marcou um x vermelho na agenda.
Em Julho queria ter o seu curso concluído e um certo verde enorme decorou a agenda nesse mês.
Para Agosto o seu desejo era dias de Sol a descansar e não foi difícil ter um enorme certo verde para marcar. Já quando chegou Setembro o emprego que desejara transformou-se num x vermelho.
Em Outubro concretizou o desejo de conseguir um trabalho, não o que desejara, mas estava a trabalhar e um x verde decorou agenda nesse mês. Em Novembro casou-se e mais um enorme x verde estava na sua agenda. Em Dezembro o que marcou a sua agenda foram dois tracinhos vermelhos do teste e gravidez que dera positivo rodeados por um certo enorme verdinho…
Olhou para a agenda e viu como a sua vida mudara em doze meses apenas.
Assim quando soaram as doze badaladas pegou apenas numa depois de pensar e desejou que todos um dia se sentissem como ele. Desejou-lhes doze meses felizes com muitos certos verdes e que não desistissem ao primeiro x vermelho.
Tinha tudo o que desejar não sabia que mais pedir… Afinal era feliz e rico por se sentir assim.
Que o seu desejo de que todos no sintamos feliz neste novo ano que começa a caminhar se concretize para todos.
Sempre o avisei que não perdoaria uma traição. Ele jurava-me que era fiel e eu respondia sempre que Fiel era nome de cão e que quanto mais mo afirmava mais eu sentiria a traição. Tudo parecia normal até ao dia em que ele se atrasou para me ir buscar para jantar com a desculpa de que estava a trabalhar. Tinha ficado a adiantar serviço acumulado no escritório. Decidi ir lá fazer-lhe uma surpresa, afinal ele tinha-me dado a chave para o caso de ser necessário. Não hesitei e dirigi-me ao escritório. A luz estava acesa e estava lá gente. Bem pelo menos era verdade que estava a trabalhar, pensava eu. Mas assim que rodei a chave dei de caras com o seu atraente sócio. Inicialmente pensei que estivessem os dois e ele tivesse saído para ir buscar alguma coisa. Mas assim que perguntei vi pelo ar espantado do seu sócio que ele me mentira. Como sabia que este me desejava pois já por vezes se insinuara. Fiz o número da mulher traída e sentei-me a chorar. Conforme o previsto ele não resistiu a me consolar. Assim que os seus braços me envolveram senti que existia aquela química entre nós. Não resisti a ceder aos seus beijos carícias, enquanto ele dizia que o sacana do meu marido não me merecia. Estar em cima da secretária dele ainda me deu mais gozo.Pela primeira vez percebi a excitação e adrenalina da traição, enquanto aquelas mãos fantásticas percorriam o meu corpo e me iam despindo e me deitavam em cima da secretária onde consumámos o nosso desejo. Desde esse dia que combinamos encontros secretos. Ele pede-me que largue o sacana do meu marido para ficar comigo, mas eu confesso fiquei viciada na adrenalina da traição e como lhe sou fiel, mantenho as coisas assim. Se ficasse com ele iria inevitavelmente traí-lo. Prefiro ser-lhe fiel e continuar a trair o meu marido.
Texto de ficção de minha autoria
Ilustração retirada da internet.
Aos 3 anos: ela olha para si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: ela olha para si mesma e vê Cinderela.
Aos 15 anos: ela olha para si mesma e vê uma coisa horrorosa. (mãe, eu não posso ir para escola desse jeito!!!)
Aos 20 anos: ela olha para si mesma e vê "muito gorda/muito magra, muito alta/ muito baixa, muito liso/muito encaracolado", mas decide que vai assim mesmo...
Aos 30 anos:ela olha para si mesma e vê "muito gorda/muito magra, alta/ muito baixa, muito liso/ muito encaracolado", mas decide que não tem tempo para consertar essas coisas então vai sair assim mesmo...
Aos 40 anos: ela olha para si mesma e vê "muito gorda/ muito magra,muito alta/ muito baixa, muito liso/muito encaracolado", mas diz: pelo menos eu sou "limpa"
e sai mesmo assim...
Aos 50 anos: ela olha para si mesma e vê "eu sou" e vai prá onde ela bem entender...
Aos 60 anos: ela olha para si mesma e se lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo...
Aos 70 anos: ela olha para si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades, sai para o mundo e aproveita a vida...
Aos 80 anos: ela não se incomoda mais em olhar para si mesma. Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo...
Talvez a gente devesse pegar aquele chapéu violeta mais cedo...
Cecília Meirelles
Desde o primeiro dia que se encontraram que ela o amou, um amor diferente como nunca tivera por ninguém. Ele representava para ela inocência que em tempos tinha perdido. Trazia-lhe de volta os sentimentos bons que a vida a fizera perder. Era jovem, belo e puro demais para ela. A sua candura lavava-lhe a alma, mas ela achava que se consumasse o seu amor a sua paixão por ele, perderia tudo num dia.
Desde que a vira quando lhe abrira a porta, na firma onde era recepcionista que ele a fixara na memória. Achara-a bela, fria, inatingível. Era um desafio para ele que gostava de desafios. Eram raras as vezes que se cruzavam na firma onde ambos trabalhavam e se tinham conhecido. Mas numa dessas raras vezes combinaram tomar café. Descobriram que ambos vinham terras próximas para se terem cruzado num destino tão distante do seu destino de origem.
Ela desejava-o para ele desde o primeiro momento mas ele ostentava o aviso de coração ocupado na sua mão. Por ironia ou acaso do destino, no fim desse dia ela decidiu dar outro rumo ao seu coração.
Passaram-se meses sem se verem. Ela saíra da firma e não se dera ao trabalho de se despedir. Voltaram a cruzar-se em plena rua de Cedofeita, ele descortinara-a por acaso entre transeuntes, artistas de rua, vendedoras de meias e de frutas. Ela reconheceu-o imediatamente. Trocaram palavras e números de telefone. Mas ficaram-se pelas palavras. Ela sentira um brilho diferente nos seus olhos quando ele a descobrira.
Os anos passaram e ambos, sem saberem um do outro, à sua terra de origem regressaram.
Numa noite de festa, um antigo amigo dela reconhece-a e chama-a, mas é ele o seu amor fugitivo em que os dela recaem. Finalmente saem juntos. Trocam beijos e carícias. Mas o coração dela desta vez estava dividido. O fascínio por a mente preversa e calculista de outro prendia-a. Tentava inutilmente lutar contra isso. Senia as grilhetas duma paixão sórdida e destruidora a lutarem contras as asas de uma paixão pura que promete ser feliz.
Há contudo nela um lado frio, oculto que a submete a tão destruidor fascínio. O desejo de vingança.
Confessa-lhe que se sente dividida. Ele pensa que ela não o ama. Porém um amor puro como o que sente por ele, ela nunca o teve por ninguém. Um amor tão puro que a faz protegê-lo renunciando ao que mais deseja: consumar a sua paixão por ele.
Assim ela não regressa aos braços do outro e desiste da vingança. Decide lutar não pela vingança, mas sim pelo amor.
O tempo fora implacável. Era tarde demais. Ele seguira com a sua vida como ela o aconselhara a fazer. Reencontram-se. Abraçam-se e despedem-se, pedido um ao outro:
- Não desapareças!
Mas nunca mais se cruzaram. Ela guarda-o num cantinho especial do coração como aquele que lhe devolveu alma e consola-se de o ter perdido pensando que dessa forma jamais o viria a odiar como odeia aquele que um dia a fascinou.
Conto de ficção escrito por mim para Fábrica de Histórias
ilustração retirada da internet
Era uma vez um caracol que andava a passear todo contente com as suas antenas ao sol. Enquanto passeava ele ia cantarolando:
Que lindo dia de sol!
Para andar passear
Que lindo dia de sol!
Eu sou um belo caracol
Que anda aqui a cantar…
Lá lá lá lá lá lá……
Andava então na sua vidinha muito satisfeito o caracol, espevitando muito contente as suas antenas o sol, a passear de folha verdinha em folha verdinha. Todo contente e satisfeito, mordiscava uma folhinha aqui, mordiscava uma folhinha ali e ia dizendo a toda a gente e encontrava que aquele era um belo dia. Um dia perfeito. Sim um dia perfeito para um caracol preguiçoso que nada gostava mais de fazer senão passear e comer alegremente de antenas ao sol.
Enquanto o caracol andava assim alegre na sua vida, espreitava uma nuvem marota e atrevida:
-“ Que bela vida tem este caracol. Deve ser bom, nada mais ter para fazer, do que passear ao sol. Mas eu tenho trabalho a fazer e por isso o sol vai desaparecer e agora vai chover”- pensou a nuvem divertida com a grande partida que ia pregar ao caracol que andava a passear -“coitado, quando der por ela, nem a casota lhe vai valer. Vai ficar todo encharcado!”- e riu-se num riso de nuvem muito molhado, pois ao mesmo tempo começou a enviar uma grande quantidade de gotas de água grossas e fortes que ao chegarem à terra deixaram tudo encharcado.
Lá bem no alto no céu, estava entretida a brincar a nossa nuvem atrevida. Já se cansara de trabalhar. Agora era a sua vez de andar entretida. Ia começar a brincar ao faz-de conta das nuvens, acabava de fazer de conta que era uma nuvem flor quando ouviu o caracol a resmungar:
-Estava um dia tão bonito e tinha que vir uma nuvem pateta fazer chuva para o estragar!
A nuvem ofendida e muito inchada decidiu que estava na hora de responder àquele caracol preguiçoso que não fazia nada. Assim começou a chamar o caracol:
-Pssst pssst senhor caracol!
O caracol olhava, olhava e nada via em seu redor.
-Pssst pssst senhor caracol! Procure melhor!
O caracol continuava a olhar a para todo o lado sem ver quem o estava a chamar.
-Pssst! Pssst! Senhor caracol! Procure melhor! Sou eu a nuvem que estou aqui em cima ao pé de si!
- Sabe senhor caracol enquanto andava o senhor a passear de antenas espevitadas ao sol, eu estava a trabalhar para que o senhor se pudesse alimentar e abrigar!
-A trabalhar?! Chama trabalhar a encharcar as pessoas? -retrucou indignado o caracol.
Mas a nuvem muito calma e a sorrir continuou:
- Sim a trabalhar! Se o senhor teve folhas verdes e apetitosas para se deliciar e abrigar a descansar, do seu passeio ,mas se não fosse eu receio que passasse fome. Pois se eu não enviasse uma boa carga de água para que as plantas se pudessem alimentar e renovar ficado verdes viçosas, estas não só deixariam de ser tão apetitosas como morreriam de fome e de sede. Não morrerias tu de sede se deixasse de chover? O que irias beber? Talvez não fosse agradável ficar encharcado, mas olhe como está tudo mais bonito e verdinho! Ou vai dizer-me que não tinha notado?
O caracol envergonhado com o seu egoísmo reconheceu que nunca tinha pensado que de facto a nuvem tinha razão. E também não era assim tão grave nem desagradável ter-se molhado, pois até se tinha refrescado e num instante tinha secado.
Assim a nuvem e o caracol fizeram as pazes e tornaram-se grandes amigos, pois às vezes podia não parecer , mas se o caracol e outros seres viviam não era só ao sol que o deviam, mas também a nuvem que fazia chover para que as plantas pudessem e eles e os outros seres vivos tivessem água beber.
Conto escrito e ilustrado por mim dedicado à minha filha Bárbara, inspirado num Conto de António Torrado.
Flora Rodrigues
12 de Outubro de 2008
CARTA DE AGRADECIMENTO
Logo depois de ter lido aqueles documentos sobre a avaliação dos professores, pensei
como lhe deveria agradecer, Srª Ministra. Afinal, aquelas horas passadas diariamente junto do
meu filho a verificar se os cadernos e as fichas estavam bem organizados, a preparar a mochila
e as matérias a estudar para o dia seguinte, a folhear a caderneta escolar, a analisar e a assinar
os trabalhos e os testes realizados nas muitas disciplinas, a curar a inflamação de uma
garganta dorida pela voz de comando “Vai estudar!” ou pela frase insistentemente repetida,
de 2ª a 6ª feira:”DESPACHA-TE! AINDA CHEGAS ATRASADO!” ou o incómodo e o tempo
perdido para o levar diariamente à Escola, percorrendo, mais cedo do que seria necessário, um
caminho contrário àquele que me conduziria ao meu emprego, tinham finalmente, os seus
dias contados. Doravante, essa responsabilidade passaria para a Escola e, individualmente,
para cada um dos seus professores. Finalmente, poderei ir ao cinema, dar dois dedos de
conversa no Café do Sr. Artur, trocar umas receitinhas com a minha vizinha (está entrevadinha,
coitadinha!) ou acomodar-me deliciosamente no sofá da sala a ver a minha telenovela
brasileira preferida.
O rapaz ainda me alertou para os efeitos das faltas o conduzirem à realização de uma
prova de recuperação. Fiz contas e encolhi os ombros - poupo gasóleo e muitos minutos de
caminho, de tráfego e de ajuntamentos. Afinal, ele até é esperto e, se calhar, na internet,
encontra alguns trabalhos ou testes já feitos… Sempre pode fazer “copy – paste”…
Efectivamente, as provas de recuperação parecem-me a melhor solução para acabar com a
minha asfixia matinal e vespertina. Ontem, a minha vizinha da frente, que tem dois ganapos na
escola do meu, disse-me que, se ele continuar a faltar, o vêm buscar a casa, e que, no próximo
ano lectivo, os professores vão tomar conta deles depois das aulas.
Oiro sobre azul. Obrigada, Srª Ministra. A Senhora é que percebe desta coisa de ser
mãe! A Senhora desculpe a minha ousadia, mas será que também não seria possível fazer uma
lei para os miúdos poderem ficar a dormir na escola? Bastava mandar retirar as mesas e
cadeiras das salas de aula e substituí-las por beliches, à noite. De manhã, era só desmontar e
voltar a arrumar. Têm bar, cantina e até duche. Com jeito, eles ainda aprendiam alguma
coisinha sobre tarefas domésticas, porque, em casa, não os podemos obrigar a fazer nada ou
somos acusados de exploradores do trabalho infantil com a ameaça dos putos ainda poderem
apresentar queixa junto das autoridades policiais.
recebi do por mail
Já tive dias felizes, dias em que aprendi coisas novas, dias tristes.
Já tive dias em que perdi alguém, dias em que ganhei amigos,
Dias em que trouxe uma vida nova ao mundo.
Já tive dias de sol, dias cinzentos, dias de chuva
Já tive dias em que perdi um amor, dias em que me apaixonei:
Já tive dias de aniversário, de Natal, de carnaval,
Já tive dias que pareciam nunca mais acabar, dias que eu queria que não acabassem…
Já tive dias horríveis, já tive dias fantásticos;
Dias em que perdi tudo: a fé, a esperança, os sonhos;
Dias em que ganhei o dia, dias em que renasci;
Já tive dias complicados, dias simples,
Dias em que um simples sorriso da minha filha salvou o dia,
Dias em que sofri…
Dias em que ouvi dizer eu amo-te!
Já tive dias, já vivi muitos dias…
Mas dias normais? Não tenho dias normais.
Todos os dias são diferentes,
Bons ou maus são especiais,
São páginas em branco por preencher
São dias diferentes e nunca iguais
Porque estou viva para os preencher
e tenho uma nova página para virar
Sempre que vir o sol nascer..
imagem retirada da internet
com ligação à origem
conto ficção fábrica de histórias
Sabores divinos
Letras que gosto de saborear
O meu blog de Mamã
Crónicas de uma mãe atrapalhada
Os meus outros sabores